quinta-feira, 15 de março de 2012

Livro: O Banquete

Platão era, grosso modo, um filósofo discípulo de Sócrates. Foi ele quem escreveu sobre a filosofia socrática e  fez chegar ao mundo o pensamento e as ações de Sócrates. Em O Banquete, Platão conta como foi um jantar festivo com a participação do grande filósofo e a conversação que se seguiu, com o tema do amor. Na Grécia, naquela época, os banquetes eram bem regrados. Primeiro, seguia-se o jantar. Em seguida, um dos presentes era eleito o chefe do simpósio (a conversação após a comida). Este determinava o tema em debate, a ordem em que os presentes falariam e, ainda, a quantidade de bebida que seria ingerida.

O banquete começa começa com dois amigos, Apolodoro e um companheiro. Este pede que Apolodoro conte como foi o banquete com Sócrates. O primeiro diz que o que vai contar, ouviu de Aristodemo, que participou do evento, na casa de Agatão, um poeta ateniense. E Apolodoro começa a contar.

Fedro é eleito o chefe e elege o amor como tema. Com a ajuda do médico Erixímaco, determina que será ingerida pouca bebida. Ele começa a falar sobre o amor, mas seu discurso não tem muita profundidade. Em seguida, fala Pausânias, que aprofunda o tema. Apolodoro pula alguns participantes e vai ao discurso de Erixímaco.

Aristófanes faz o discurso mais interessante até então. Ele fala sobre como os homens eram, com quatro pernas, quatro braços, como se dois seres humanos de hoje, unidos pelo abdome. Como punição por desafiarem os deuses, os homens são cortados ao meio e passam a ter a constituição que têm hoje. E, desde então, procuram a metade perdida. É uma analogia muito bacana sobre o amor entre homens e mulheres; homens e homens; mulheres e mulheres. Lindo!

Agatão, o dono da casa, é o próximo, seguido por Sócrates. E o filósofo, por meio de perguntas que podem ser consideradas bobas, acaba desconstruindo o discurso de Agatão. Ele utiliza, para isso, os conhecimentos que adquiriu com a sacerdotisa Diotima de Mantinea, que parece (desculpe, não entendo muito de história da filosofia) ter sido uma mentora até mesmo na forma em que Sócrates utilizava os diálogos.

E, após a fala de Sócrates, eis que chega Alcibíades, que vai tumultuar a ordem estabelecida por Fedro e fazer um elogio ao filósofo, em vez de ao amor. Ele não percebe é que, no fim das contas, está mesmo é falando do amor.

O livro é lindo, vale ser lido e relido (especialmente a parte do diálogo entre Diotima e Sócrates). O meu livro é da coleção Os Pensadores, da Abril Cultural. O tradutor e o editor deixaram várias notas que facilitam bastante a leitura para quem é leigo em história da filosofia.