quarta-feira, 21 de março de 2012

Livro: Mentes perigosas

Taí um livro que sempre me intrigou. Porque o tema é algo que me incomoda. Como podem existir pessoas que não se importam com o outro, com seus sentimentos, que não possuem o mínimo de empatia? Nas conversas com a minha analista, esse tema é recorrente. E muito do que conversamos lá me fez ficar mais calma com relação aos psicopatas.

Em Mentes perigosas, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva tenta dissecar o comportamento dos psicopatas, com a pretensão de fazer um guia para os ditos normais identificarem as pessoas com essa característica e insiste que devemos evitá-los a todo custo. A proposta é até interessante, mas acho que a autora pecou pelo excesso de adjetivos.

Sim, ela fala o tempo todo que o psicopata tem o coração gelado, o cérebro gelado. O uso do "gelado" me incomodou um tantão. Mas não é só isso. Acredito que ela quis dar muita ênfase à questão, e agarrou todos os adjetivos de grandeza possíveis. E, ao mesmo tempo, tratou o tema para que qualquer pessoa pudesse ter contato com ele. Assim, a meu ver, ficou bastante raso. Não é um defeito, claro. Só que eu esperava mais. Um pouco mais de profundidade e um pouco menos de casos que parecem ser tão irreais.

Alguns casos famosos são acrescentados: o da Maria da Penha (que originou a lei que combate a violência familiar), do maníaco do parque e daquela garota paulistana que matou os pais, junto com o namorado. Aqui ela faz questão de dizer que faz uma análise baseada no que foi noticiado da imprensa, já que não atendeu esses casos. Os que ela afirma serem pacientes parecem não ser reais. Mas vai ver é só uma impressão.

Uma coisa muito legal do livro é quando a autora fala sobre a sociedade atual, e como o individualismo e a tecnologia acabam criando um ambiente propício para o florescer da psicopatia. É verdade que, hoje, estamos vivendo a cultura da felicidade. É muito importante ser feliz. Melhor ainda: é imprescindível PARECER feliz. E assim, acabamos vivendo uma realidade falsa, paralela (vide os Orkuts e Facebooks por aí, onde as vidas são sempre perfeitas). A tecnologia acaba nos afastando do convívio social real e nos torna mais individualistas. E, quanto mais individualistas, menos sentimos a dor do outro.

É um livro bacaninha, mas não é lá tudo isso que falam dele não.