quarta-feira, 28 de março de 2012

Livro: É tudo tão simples

Comecei a namorar este livro ao ver e ler entrevistas com a autora, Danuza Leão, em que ela falava sobre sua mudança para um apartamento menor e como se desfez de alguns de seus pertences. Como eu vivo buscando referências sobre mininalistas, achei que poderia ser um bom livro, e não mais um daqueles de etiqueta (lembrando que etiqueta vem de ética, e ética não tem regras - moral as tem). Ledo engano... Só o primeiro capítulo do livro fala sobre o que a autora se desfez e, mesmo assim, de uma forma tão superficial que, sinceramente, não entendo todo o auê da imprensa em torno do tema.

Danuza conta que se mudou e precisou e desfazer de coisas que estavam guardadas, como jogos de louça, pratarias, eletrodomésticos (ela pergunta se quem mora sozinha precisa de uma batedeira). E pronto. Próximo capítulo.

Aí começa a tortura. Porque uma das coisas de Danuza mais faz é ditar regras de etiqueta. E são regras tão, mas tão absurdas, cansativas, pedantes... dá preguiça. E, mais do que isso, dá indignação. Há algumas coisas interessantes, como as dicas de viagem (é melhor descobrir um bistrô desconhecido do que ir só aos lugares onde todo mundo vai). Mas tudo permeado com aquela panca de riqueza, mesmo quando ela insiste em dizer que não é rica nem pedante.

Logo no começo do livro tem um tiro no pé gigante: ela fala sobre as mulheres que precisam desesperadamente de um namorado, e como isso é chato. Ela diz para a pessoa mudar de assunto mas, se for realmente muito necessário, deve frequentar supermercados às sextas e sábados à noite. E, se isso não der certo - juro que ela escreveu isso -, alugue uma criança e vá a um teatro infantil, onde sempre há pais recém-separados, precisando de companhia.

"Alugue uma criança". Não há ironia que justifique isso. Aliás, há ironia em todo o livro, o que chega a ser engraçado. Mas "alugue uma criança" me fez virar o nariz pra qualquer outra coisa, seja irônica, engraçadinha ou seja séria (quase não tem nada sério lá). Outra terrível: só saia com pessoas do seu estilo. Grávidas só devem sair com grávidas, mães só com mães, casados só com casados, solteiros só com solteiros. Se uma amiga sua ficar grávida, dê um tempo na amizade até a criança ter uns sete anos ou, talvez, para sempre. Aí eu me pergunto... como é que pode esse monte de bobeiras ter sido publicado?