sexta-feira, 16 de março de 2012

Filme: Precisamos falar sobre o Kevin

We need to talk about Kevin - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynne Ramsay
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller

Este filme tem povoado meus pensamentos até mesmo antes que eu pudesse ver a película. Cheguei a comprar o livro, mas ainda não li. E saí do cinema com um monte de teorias e muita vontade de mergulhar no livro, tão logo seja possível.

O filme não tem um tempo linear. E, à medida que as cenas se sobrepõe, é possível entender porque Eva Khatchadourian (Tilda Swinton) é tão amargurada; porque sua casa e seu carro estão cheios de tinta vermelha, porque ela recebe olhares tão duros por onde passa. É curioso notar que a única hora em que ela está imersa em um sentimento de prazer é quando está na Tomatina, a festa espanhola em que uma multidão comemora e atira tomates por todos os lados. Só naquele momento, Eva sente prazer.

Kevin é o filho mais velho de Eva. A relação entre os dois é tensa: a mãe, que parece ter sofrido de depressão pós-parto, não consegue ter uma conexão sentimental com o filho. Ele, ainda criança, mas plenamente consciente, utiliza de estratagemas, como chantagem, para conseguir o que quer. Enquanto isso, Franklin (John C. Reilly), tenta ser um pai presente mas não dá conta até mesmo de perceber que a mulher está novamente grávida, mesmo que a barriga esteja grande ao ponto do pequeno Kevin notar.

Os atores dão um show à parte no longa, com destaque para os intérpretes de Kevin, quando criança (Jasper Newell) e quando adolescente (Ezra Miller). O olhar de Kevin para a mãe e suas manipulações são muito contundentes. Tilda Swinton também está muito bem. Eu não curto muito a atriz, mas aqui a sua cara de eterna blasé finalmente produziu uma atuação intensa.

A diretora usou o vermelho em praticamente todas as cenas, não de forma gratuita, mas de uma maneira tão intensa que contribui e muito para gerar suspense e inquietação na plateia. Outra forma encontrada por ela de promover a angústia no espectador é o ritmo lento das cenas e a montagem. A tensão permanece alta durante toda a exibição do filme.

As questões levantadas pelo filme, em especial a relação mãe e filho e a psicopatia saem da sala de exibição junto com os espectadores, ao fim da exibição. Acredito que é impossível não ser tocado por esse filme. E já estou prevendo o que o livro vai causar em mim.