quinta-feira, 22 de março de 2012

Filme: Poder sem limites

Chronicle - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Josh Trank
Roteiro: Max Landis
Elenco: Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan

Andrew (Dane DeHaan) é um adolescente oprimido pelo pai violento, pela doença terminal da mãe e pelos colegas de escola. É tímido, sem amigos, sem brilho. Ele vai para a escola todo dia de carona com Matt (Alex Russell), seu primo, que é mais popular. Andrew compra uma câmera de vídeo e começa a gravar tudo à sua volta. Essa acaba sendo a justificativa da direção para que o filme seja um "pseudo-documentário". Tudo o que se vê no filme vem de uma câmera, e é até estranho que Andrew, o protagonista, apareça menos que os outros atores, já que ele é responsável pela maio parte das filmagens.

Matt leva Andrew a uma festa da escola. Junto com Steve (Michael B. Jordan), eles descem por um buraco no meio da mata (seria uma tentativa de ser Alice no País das Maravilhas?) e entram em contato com uma substância estranha, parecida com um cristal, que muda de cor. Algo como uma explosão acontece ali e a próxima imagem da câmera de Andrew já mostra os três testando certos poderes. E, como todo adolescente, fazendo aquela festa. O aperfeiçoamento dos poderes vai levando a situações mais extremas.

E é nessa primeira situação conflituosa que acontece o melhor momento do filme. Andrew acaba por fazer mal a uma pessoa e Matt e Steve se desesperam. Matt começa a ditar regras para o uso dos poderes: não usá-los em público, não usar em pessoas, não fazer mal para os outros. Pronto. Porque poder pressupõe responsabilidade. Em todas as esferas. E é o abuso desse poder que vai gerar todo o restante da ação.

Apesar do tema ser até profundo, ele não é levado em sua profundidade. Por isso, o filme fica raso. A decisão de só usar "imagens filmadas" acaba levando a momentos bizarros, como o aparecimento de Casey, a garota por quem Matt é apaixonado e que também filma tudo o tempo todo para colocar em um blog. No final do filme, Casey está em perigo e é incapaz de largar a câmera. Para justificar que a câmera de Andrew continue a gravar, um policial chega a usar uma justificativa ridícula: a câmera vai ficar ligada porque ela faz parte de uma investigação. E, nas cenas finais, toda e qualquer imagem vem de outras fontes: celulares, computadores, tablets. Mesmo que eles sejam destruídos (o que me fez pensar como é que essas imagens foram recuperadas, dentro da lógica do filme).

Enfim, é uma bobagem. A única coisa boa é essa pseudo-reflexão sobre os limites do poder. Pena que até isso fica bem superficial.