quarta-feira, 14 de março de 2012

Filme: O pequeno Buda

Little Buddha - 1993 (mais informações aqui)
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Bernardo Bertolucci
Elenco: Keanu Reeves, Bridget Fonda, Roucheng Ying

Bertolucci tem uma características forte: sua filmes parecem pinturas, tal a força da fotografia, a intensidade de suas cores, o sentimento que elas conseguem exprimir ao expectador. Em O pequeno Buda, ele trabalha com duas paletas bem diferentes: as cores frias, em especial azuladas e acinzentadas, em Seattle; e as cores quentes, com destaque para o laranja, na narrativa da história do Buda e nas cidades do oriente.

A história começa quando Lamr Norbu viaja a Seattle para encontrar a reencarnação de seu mestre, Lama Dorji. A indicação é que ele teria renascido em um menino americano, Jesse Conrad. A trama se desenvolve em torno da certificação se Jesse é mesmo a encarnação do monge e como sua família se posiciona frente a essa novidade.

Os monges apresentados fogem da figura austera que segue o imaginário. São divertidos, sorridentes, alegres e intensos. Kenpo Tenzin, mo monge que encontra Jesse, é o mais engraçado. É bonachão, sempre sorrindo, e sem vergonha ou receio de fazer o contato com a mãe do menino. Em sua primeira visita à casa da família Conrad (bastante azulada), os monges (todos em cores mais intensas) vêem Jesse entrar na sala de visitas vestindo um pulôver azul e usando uma máscara festiva vermelha. É um sinal claro: Jesse transita pelos dois mundos. A partir desse encontro, Jesse passa a conhecer a história de Sidhartha, o nobre que abandonou tudo para encontrar a iluminação (a história de São Francisco de Assis é praticamente a mesma. Por que será [ironia mode on]).

Os pais de Jesse, Lisa e Dean, passam por diversas fases ao pensar na hipótese de seu filho ser a reencarnação de um monge: a mãe é mais favorável, depois muda de posição; o pai é contra, mas após o suicídio de um amigo começa a se aproximar do caso. E pai e filho inicial a viagem para Katmandu, onde Jesse se encontrará com mais duas crianças candidatas a serem a reencarnação de Lama Dorji. O encontro dos três - dois meninos e uma menina - é um dos pontos altos do filme. Enquanto eles disputam para ser o "vencedor" dessa "disputa", também aprendem juntos sobre os caminhos da iluminação.

Keanu Reever não está muito bem aqui. Não consigo definir se é porque sua atuação é bastante caricatural ou por causa do excesso de maquiagem. Ele parece um boneco de cera, dá a impressão de que não encontrou o tom certo do personagem. Já as crianças fazem tudo com muita naturalidade, parecem terem sido bem preparadas para os papéis. Além do roteiro bonitinho sobre valores, o grande destaque é mesmo a fotografia e seu uso quase como mais um personagem da trama.