terça-feira, 27 de março de 2012

Filme: A chave de Sarah

Elle s'appelait Sarah - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Gilles Paquet-Brenner
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup

Culpa é o mínimo que a gente encontra em um filme sobre nazismo. Neste, a culpa e sentimentos bem parecidos com a nossa "vergonha alheia" também estão presentes. É um filme que fala sobre como esses sentimentos continuam na vida de quem foi, direta ou indiretamente, marcado pelo nazismo.

Julia Jarmond é uma jornalista americana, casada com um francês e há mais de 15 anos vivendo na França. Para a revista onde trabalha, ela resolve fazer uma matéria sobre um episódio vergonhoso para o país onde mora. Em 1942, a polícia francesa recolheu alguns milhares de judeus e os trancou no velódromo por alguns dias, até que foram todos enviados para campos de concentração alemãos. A vergonha francesa sobre o caso é tanta que o velódromo foi destruído e os fatos dessa história são difíceis de serem encontrados. Em meio a sua pesquisa sobre o assunto, Julia está de mudança para um novo apartamento, pertencente à família de seu marido. Enquanto o local é reformado e ela pesquisa sobre os judeus, se embrenhando nas histórias veladas do período, sua história se cruza com a Sarah, uma menina judia que, ao ver sua família obrigada a ir para o velódromo, tranca o irmão mais novo em um armário camuflado em uma parede do apartamento. A luta de Sarah para voltar para casa, abrir o armário e salvar seu irmão é o segundo fio condutor do filme.

Obviamente, as cenas que envolvem a retirada dos judeus de suas casas, o momento tenso no velódromo, a separação das famílias, de mães e filhos. Mas há também aqueles mesmos tempos de emoção. Aqui, com um soldado mais humano, com um camponês medroso, mas aberto a ajudar. Pelo caminho, ainda há segredos, mentiras e culpa, muita culpa

O que de melhor há no filme é que as histórias, por mais que pareçam óbvias, têm encaminhamentos e conclusões inesperadas, que surpreendem o espectador. Tanto a conclusão da história de Sarah quanto a de Julia não são usuais nesse tipo de narrativa, o que não deixa de ser uma grata surpresa.