domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mônica em cartas #1

Luciana, amiga querida,

é engraçado como os ciclos da vida se repetem. Mentira, não são nem os ciclos, são as coisas. No encontro de hoje, que foi o primeiro do ano, teve aquela mesma bobagem do ano passado de falarmos sobre a origem dos nossos nomes e como é importante saber porque nossos pais o escolheram. Sinto-me tão mal com isso, você sabe. É constrangedor contar a história verdadeira. Penso em mentir da próxima vez, porém algo em mim insiste em repetir tudo como se passou.

Aconteceu de novo, todos falando sobre pais felizes, se amando, pesquisando e escolhendo com carinho o nome dos filhos, homenageando o bisavô, a tia solteirona, repetindo os nomes tradicionais da família. E eu, com cara de tomate maduro, contando que meus pais escolheram o nome que a cartomante disse ser o melhor para mim. Querida amiga, não consigo admitir que quem escolheu meu nome foi uma advinhadora! É curioso pensar nisso, e é dolorido também, porque fica claro que, realmente, até a Milady teve um nome escolhido por meus pais, justo ela, a cadelinha da família.

Esta do meu nome é só mais uma coisa que será repetida, repetida, repetida até me deixar tantã. Por enquanto, não posso fugir disso, mas um dia fugirei. Darei tchau a Milady e seus bifes picadinhos. Quem sabe, talvez eu conquiste o mundo.

Com amor,
Mônica