quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Filme: Os descendentes

The Descendants - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Alexander Payne
Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miler

Fico feliz desse Os Descendentes ter sido o primeiro filme "novo" que vi em 2012. Vi o trailler e não achei lá essas coisas. Mas calhou de ver e, então... não fiquei decepcionada.

Matt King (Clooney) é o personagem principal e narrador do filme. Ele está com a vida um pouco em desordem: sua mulher está em coma após um acidente e ele não tem muito contato com as filhas, Scotti e Alex. As duas sentem a situação da mãe de forma dirente: Scottie começa a dar trabalho na escola e tem tiradas que não condizem com sua idade, assustando o pai. Alex é uma adolescente rebelde que estava brigada com a mãe antes do acidente e parece fazer pouco caso de tudo. É ela quem conta a Matt que ele vinha sendo traído pela mulher. Em meio a isso, Matt também tem que tratar do destino de um terreno de sua família, em que ele é o responsável e seus primos estão deliberando sobre a quem vender.

As paisagens do Havaí, onde se passa a trama, são muito bonitas. Elas contrastam com o olhar triste e sombrio de Clooney, amargurado com sua situação pessoal (me lembrou bastante o olhar do Nicholas Cage em O sol de cada manhã). A composição do personagem é bem interessante. A postura, a posição dos ombros, a movimentação do Clooney em cena são bem adequadas ao personagem. Por outro lado, sua obsessão em encontrar o amante da mulher e perguntar a ele se havia amor na relação me parece tão absurdo... só perde para a vontade de Matt convidar o amante para visitar a esposa no hospital, antes que ela morra, para se despedir. Hã? Alex, a filha mais velha, está envolvida nessa busca - ela quer participar e o pai não a impede, até mesmo conta com a sua ajuda.

A história paralela, de Matt King, seus primos e a venda do terreno, acaba se cruzando com a trama da esposa em coma. É aquele velho dilema: preservar uma área natural, linda e utilizada pela comunidade, ou vendê-la por milhões para um grupo que fará um resort super exclusivo?  A área é de encher os olhos, de tão bonita (já falei que as locações são fantásticas?).

A caracterização de Elizabeth, esposa de Matt, é muito bem feita. Desde o tom da pele, a boca aberta e seca, a posição dos dedos das mãos, o cabelo em desalinho. É tão real que me fez lembrar do período em que acompanhei minha tia no hospital.

Algumas coisas que me incomodaram, como a narração, bem desnecessária. O excesso de tiradinhas cômicas também. A platéia rindo até mesmo nos momentos mais tensos, em que a morte da esposa de Clooney é iminente, me fez pensar em como as pessoas em geral não entendem o que é a tensão de ter um familiar em coma. Sid, amigo de Alex, é irritante, imbecil e desnecessário. Dá pra rir com ele em duas situações no máximo. O personagem não faz a mínima falta.

O filme está sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme (não é tão bom assim...), Melhor Ator (Clooney está bem, mas longe de ser uma atuação marcante), Melhor Diretor (Alexander Payne, também longe de ser tão bom assim), Montagem (nada impressionante) e Roteiro Adaptado (bonzinho, difícil ganhar).