terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Filme: Histórias Cruzadas

The Help - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer

Ainda sob o impacto do filme, não sei o que pensar. Não consigo definir se gosto ou não. Vamos aos fatos.

Eugenia Pehan (Emma Stone), conhecida como Skeeter, é uma aspirante a jornalista e escritora que volta para casa, após a faculdade. Ela quer ser reconhecida pelo seu trabalho, e não se encaixa mais no grupo de amigas da Junior League (espécie de grupo beneficente de senhoras) que não faz nada na vida, além de jogar bridge, fingir caridade e humilhar pessoas. Daí ela tem a brilhante ideia de escrever sobre a vida das empregadas domésticas de sua cidade, Jackson, marcada pela forte separação entre brancos e negros e pela atuação da KKK, o grupo que persegue e mata negros. Aos poucos, as empregadas contam histórias aterrorizantes e o livro vai nascendo.

Não consigo, ainda, pensar se é um filme bem feito, se foi bem dirigido. Porque a história que é, aparentemente sobre como combater o racismo, acaba sendo muito racista. Um exemplo é quando Minny, a empregada especialista em cozinha, após ser despedida por usar o banheiro dos donos da casa onde trabalha, arruma emprego em outra casa e ajuda a patroa a cozinhar. Ela e o marido preparam, então, um grande banquete de agradecimento para Minny, que pergunta, então, se está despedida. A resposta do casal é que ela terá sempre um emprego naquela casa. A proposta é que o casal está tão agradecido que faz um bem a Minny, mas não é bem isso. Eles só reforçam que o espaço de Minny será sempre na área de serviço.

Skeeter, depois de publicar o livro anonimamente, tem a possibilidade (e o incentivo para isso) de sair da cidade e arrumar um emprego numa revista em Nova York. Enquanto isso, as empregadas que abriram histórias tão pesadas sobre as patroas ficam ali na cidade, sofrendo todo tipo de violência. Elas têm um trunfo - uma parte um tanto escatológica da história - para não serem descobertas, mas mesmo assim sofrem. A personagem de Viola Davis, Aibilleen Clark, é a narradora do filme, mas isso parece existir apenas para dar a ideia de que ela é a protagonista, e não Skeeter.

Por outro lado, o filme faz pensar sobre a relação patroa-empregada. Há alguns anos acontecia o que se vê na abertura da história: a pessoa se tornava empregada doméstica porque sua mãe também foi uma e porque sua avó foi escrava. Não havia outro caminho. Hoje, como há outras opções, ninguém optaria por trabalho doméstico. Especialmente, há acesso a educação escolar. A história dá margem a essa discussão, e também ao tratamento dado às empregadas e pessoas que fazem aqueles trabalhos que ninguém  quer. Nós todos tratamos empregados domésticos, faxineiros, porteiros e outros profissionais como se eles não existissem - a não ser, claro, quando precisamos deles.

Enfim, sob o impacto da história que faz pensar mas, ao mesmo tempo, reforça o racismo, não tive como pensar nas questões técnicas do filme. A única coisa que dá pra falar com relação a isso é que Viola Davis leva a personagem com muita intensidade.