quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Felicidade Perpétua

Uma das coisa que mais gosto de conversar com a Tia Ylza são as histórias da família dela, os Albuquerque Monteiro (soa bem chique, é verdade). A família se formou após o meu bisavô José Procópio se casar com a Enoe (não, você não leu errado).

José Procópio, conhecido por mim como Vovô Procópio, era filho único por parte de pai e o terceiro ou quarto, não sei ao certo, por parte de mãe. O pai dele, Francisco Monteiro, mais conhecido como Chico Funcho, era muito divertido, pelo que contam (sim, vai ter um post sobre ele algum dia). Ele se apaixonou pela esposa, então viúva, e decidiu-se logo pelo casamento. Ele dizia algo parecido com isso: "Olhei para o lado e lá estava a minha felicidade".

Se foi amor à primeira vista eu não sei. Só tenho certeza de que ele era tão brincalhão que não deixava passar nada: o nome da minha sei-lá-qual-é-esse-grau-de-parentesco era Felicidade Perpétua. Os pais dela quiseram homenagear as santas católicas Perpétua e Felicidade que, pela tradição, morreram juntas e martirizadas. A história é até bonitinha, mas o nome próprio é uma desgraça. Ouso dizer que é mais feio que Enoe.

E Vovó Felicidade tinha outro particular: apesar do nome "alegre" e do marido que era todo divertido, ela era aborrecida, mal-humorada e difícil. Os netos não podiam sequer chamá-la de avó. Todos diziam "Dona Felicidade" - menos meu avô, que era rebelde e insistia em dizer "Vovó Felicidade" (acho que eu tenho a quem puxar!).

Quando meus tios-avós iam se encontrar com Dona Felicidade, eram feitas inúmeras recomendações: não pode rir, não pode falar alto, não pode correr, não pode, não pode, não poder. Não pode irritar a Felicidade Perpétua! 

Essas histórias de família são tudo de bom!