quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O que se aprende morando só

Em 2001, fui morar sozinha. Foram dois anos e pouco e foi uma maravilha. Hoje não dá mais pra fazer isso de novo, mas bem que eu gostaria de poder voltar.

O melhor de morar sozinha é fazer as coisas de casa do seu jeito. Sem ninguém pra determinar, doutrinar ou impor.

Mas vim de uma casa com seis pessoas. Estava acostumada a fazer compras pra essa gente toda. Daí que, no primeiro dia no apê, lá fui eu comprar a mesma quantidade de antes em produtos de limpeza. Comprei coisa demais! Fiquei seis meses sem precisar comprar esses produtos. Alguns, duraram até mais do que um ano. O detergente, por exemplo. Porque eu não cozinhava (um botijão pequeno de gás durou quase dois anos e meio), sujava pouquíssima louça.

Aprendi muita coisa morando sozinha. Que o meu espaço podia ter a minha cara. E ele foi criado, aos poucos. Aprendi também que, mesmo sendo meu, o espaço precisava atender outras pessoas. Eu não queria ter sofá nem televisão, e fiquei um bom tempo sem os dois. Até que vovó resolveu que dormiria alguns dias lá comigo e seria injusto deixar ela sem sofá e sem tv.

Também aprendi a resolver pequenos problemas. Com rejunte, cimento branco, silicone e o que mais fosse necessário. Aprendi a trocar o chuveiro e a resistência dele. A manusear algumas ferramentas. A limpar os tacos de madeira do excesso de cera deixada lá.

Aprendi que não preciso depender de ninguém pra resolver meus problemas - e os da casa. A saber a hora de agir e a hora de chamar um especialista. Que posso negociar de igual pra igual com qualquer prestador de serviço. A reconhecer quando o preço está bom, quando há exploração.

Em janeiro, eu acabo arrumando muitas coisas em casa. Já foi a pia da cozinha, um armário que estava complicado, um declutter bem grande no quarto (e muita coisa que estava lá foi enviada pros desabrigados da chuva) e hoje foi dia de trocar a resistência do chuveiro.

Uma coisa legal disso é que o Leo pode contar pra todo mundo que aprendeu comigo a mudar a resistência. O normal seria o contrário, né?

:-)