sábado, 28 de janeiro de 2012

Filme: A pele que habito

La piel que habito - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar, Agustin Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet, Marisa Paredes, Roberto Álamo

Esse foi um dos melhores filmes que eu vi em 2011. Tenso na medida, com aquele toque kitsch do Almodóvar e um roteiro que tira o fôlego. Vale a pena ser visto e revisto.

O cirurgião plástico Robert Ledgard acompanhou boa parte dos transplantes de rosto realizados no mundo e pesquisa a produção de uma pele artificial, a que chama de GAL. Seus testes indicam que ela seria resistente às picadas de mosquito e ao fogo. A indicação é que terá início uma discusão ética, já que Robert faz seus testes em Vera, uma paciente que mantem presa e vigiada 24h em sua casa. Só que tudo muda e o que parecia ser não é mais. Uma virada surpreendente tira tudo do seu lugar e nos lembra que quem está ali, na direção, é Pedro Almodóvar.

Na casa de Robert, todos os quadros trazem corpos nus de mulheres. Eles estão por toda a parte, a indicar queo dono da casa (e suas pacientes/clientes) buscam a perfeição, e também em Vera, que aparece com uma roupa especial, devido as cirurgias que fez para trocar de pele. A relação entre Robert e Vera é tensa, há desconfiança misturada com tensão sexual e o mistério: por que ela precisa ficar presa no quarto, sem contato algum com o mundo exterior, exceto pelo interfone com que conversa com a empregada da casa, pelo elevador de carga por onde chega comiga e por poucos canais de TV? Quem é ela, como chegou até ali, porque não pode sair?

Há referências ao Brasil, com uma cena em favela e o carnaval daqui. É interessante o modo como o diretor incluiu esses toques no roteiro. Mais uma vez, Almodóvar traz famílias estranhas, com relações distorcidas entre mães e filhos. Há um toque de comédia, mas a tensão permanece lá no alto.

Antonio Banderas, que interpreta Robert, está muito bem. Duro, tenso, bravo, não ri, não tem um momento de leveza. Mesmo quando se rende a Vera, a testa está tensionada, preocupada. Essa característica do personagem fica mais evidente quando finalmente conhecemos sua real relação com Vera. E é reforçada na cena em que ele aparece moldando um bonsai num jardim. É isso que Robert é, em essência: alguém que molda as pessoas e objetos ao seu redor.

O filme foi inspirado pelo livro Tarântula, em que histórias se entrelaçam e algumas delas serviram como inspiração o roteiro.