quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Filme: O palhaço

O palhaço - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello, Marcelo Vindicato
Elenco: Selton Mello, Paulo José, Teuda Bara, Moacyr Franco

Não é fácil falar de O palhaço. Talvez porque seja um filme que chacoalhe um pouco do que estamos acostumados a ver no cinema nacional. É bom esquecer a violência, as drogas, a pobreza, o Nordeste. E entrar para ver o filme como oa Caça-fantasmas deveriam estar antes do Stay-puff invadir a cidade: com a mente branca.

O filme conta a história de Benjamim, intérprete do palhaço Pangaré. Junto Valdemar, com seu pai e também o palhaço Puro Sangue, eles tocam o Circo Esperança pelas estradas dos interior de Minas Gerais. Benjamim está em conflito. Não é feliz com o circo, que nunca tem dinheiro e está sempre precisando de algum reparo, seja em um dos carros velhos, na roupa de D. Zaira (Teuda Bara, arrasando como sempre) ou mesmo na vontade do que seria um luxo: um ventilador para as tendas dos artistas, para que aguentem o calor das cidades por onde passam.

Cortando estradas poeirentas, o circo vai levando alegria para as cidades por onde passa. Os artistas são recebidos por prefeitos, amados pelas crianças, paquerados pelas mulheres. Enquanto isso, passam perrengue pela falta de dinheiro. Ilustra bem esse momento as cenas em que todos são convidados para um almoço na casa de um prefeito: a fartura da casa não condiz com a vida dura que os artistas levam. Tudo isso entristece Benjamim. E, na luta para encontrar algo que o satisfaça, ele acaba descobrindo um novo caminho. Como diz o personagem de Jackson Antunes - e como repete depois Valdemar -: "O gato bebe leite, o rato como queijo. E a gente? A gente faz o que a gente sabe fazer".

Algumas coisas muito bacanas do filme:
- o Circo Esperança não tem animais. O filme se passa na década de 1970 e é legal demais ver que, apesar de retratar uma época em que todo circo tinha animais, este não tem. Fica claro que a alma do circo não está nos bichos, mas nas pessoas que constróem o espetáculo.
- Benjamim vislumbra uma esperança na cidade mineira de Passos. Foi nessa cidade que Selton Mello nasceu. E é em Passos que o irmão de Selton, Danton, faz uma participação muito legal no filme.
- As placas de estrada e de estabelecimentos comerciais são muito bacanas, especialmente para os mineiros. É bom ver nosso Estado na tela grande. Destaque para "Montes Claros", cidade do norte de Minas, e as divertidas"Vende Frango-se" e "Ofissina dos Irmãos Papagaios".
- Moacyr Franco é o delegado Justo. Um personagem que fica menos de cinco minutos na tela mas que faz uma diferença tremenda. Show de bola!
- Todo o dinheiro que aparece no filme é composto de notas sujas, velhas e amassadas. Um cuidado muito bonito com a direção de arte. E isso é só um pedacinho ínfimo da produção, que tem uma iluminação maravilhosa e toda a direção de arte deslumbrante.
- A cena final é um plano sequência emocionante.

Foi o melhor filme nacional que eu vi este ano. E, apoiando o que o Pablo Villaça comentou, o Brasil já pode ter um candidato ao Oscar do próximo ano.