quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Filme: O preço do amanhã

In time - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy

Em um futuro não muito distante, os avanços da tecnologia médica conseguem fazer com que as pessoas mantenham a mesma fisionomia que tinham aos 25 anos. Maravilha, não? Só que isso tem um preço: quando se para de envelhecer, tem-se apenas mais um ano de vida. E o tempo passa a ser a moeda dessa nova era: os ricos têm mais tempo; os pobres trabalham para conseguir mais alguns poucos dias de vida.

Nesse mundo louco está Will (Timberlake) que, além de buscar mais tempo de vida para si, procura dividir seus ganhos com Rachel, sua mãe. A vidade está dividida em guetos, chamados meridianos, setorizados pela quantidade de tempo que seus habitante possuem. Os ricos têm mais de mil anos, devidamente registrados em um cronômetro regressivo brilhante que vive no braço esquerdo das pessoas desde o nascimento. Nesse mundo, a violência está no roubo de tempo - mata-se por mais alguns dias de vida. Por isso, os meridianos são muito bem controlados e os ricos só saem de casa acompanhados por seguranças armados.

Em um lance inusitado, Will ganha um século de vida e planeja dividir com o amigo Borel e com sua mãe. Mas ela acaba morrendo, segundos antes de receber o tempo extra do filho, que decide se vingar dos ricos. Destaque pra musiquinha do cassino, de Tom Jobim, que não é Garota de Ipanema, enfim.

O roteiro é cheio de buracos. A começar, pela morte de Henry Hamilton, o milionário que ajuda Will. Uma câmera na rua flagra Will perto de Hamilton, minutos após o rico pular de uma ponte. Por conta dessa imagem, o protagonista é tido como o assassino do milionário. Curioso é que a mesma câmera não filmou o suicídio do amargo senhor de 105, desiludido com a vida quase eterna. Ao ser tido como um assassino, Will passa a ser perseguido pela Polícia do Tempo.

Outra questão estranha é a contagem do tempo. Emuma cena, Will é deixado com cerca de duas horas de vida. E nesse tempo, ele faz tanta coisa e se passa tanto tempo - com o dia acabando, o sol nascendo, uma corrida no estilo Corra, Lola, Corra e muita "ação" - que fica tudo inverossímel. Até mesmo para uma história tão maluca. 

Amanda Seyfried é Sylvia Weiss, filha do todo-poderoso dono das empresas Weiss, está sofrível. Ela não tem expressão alguma, seu rosto é o mesmo em todas as situações do filme - uma espécie de Cigano Igor. Sua história com Will é praticamente a de Bonnie e Clyde, mas beeeem menos convincente. Aliás, clichê é o que não falta no filme. Principalmente a pérola de Raymond Leon, personagem de Cillian Murphy: "Sou um agente do tempo. Não me interesso por justiça, só por coisas que podem ser medidas, dias, horas, minutos". E também: "Para uns serem imortais, os outros devem morrer".

Foi uma das bobagens que vi esse ano. Um argumento que é até interessante, mas que ficou com um roteiro falho e com atuações bem mais ou menos. Nem o Justin, que estava se mostrando um ator interessante, parece acreditar no personagem que está vivendo.
 
Imagine a decepção que senti quando o filme terminou. Imagine que, ao sair da sala de projeção, escuto alguém dizer: "Este foi o melhor filme que vi na minha vida". Pois é...