domingo, 20 de novembro de 2011

Filme: Gigantes de Aço

Real Steel - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Shawn Levy
Roteiro: John Gatins, Dan Gilroy
Elenco: Hugh Jackman, Evangeline Lily, Dakota Goyo

O ser humano parece ter um apreço especial por brigas, sejam elas cruas e sem regras até as "organizadas" e tidas como esporte, como a greco-romana, o boxe, o sumô e o recente MMA, isso sem falar nas abomináveis brigas de animais, como as rinhas de galos, outras aves e cachorros. Hoje é comum nos encontros de estudantes de automação as guerras entre robôs. Tive a oportunidade de assistir a uma dessas disputas e é realmente divertido, ainda mais quando se pensa que o prejuízo aqui é só material - ninguém se machuca.

Os roteiristas de Gigantes de Aço ampliaram o princípio das lutas dos robôs de estudantes a poderosass máquinas criados especialmente para disputar em um ringue qual o mais forte e mais preparado para a luta. Com esse mote, buscam falar de jornada interior, redenção, aceitação, luta por ideais e tantos temas comuns no cinema.

Estamos em 2020. Hugh Jackman é Charlie, um decadente controlador de robôs de luta que está endividado. Aceita lutas em rodeios e guetos apenas pelo dinheiro, mas vê sua máquina ser destruída. Enquanto foge de mais um credor, ele é avisado de que sua antiga namorada morreu e que ele precisa comparecer a uma audiência para discutir a guarda de seu filho com ela. Tudo o que ele não quer, neste momento, é um filho. Mas precisa de dinheiro e acaba fazendo um acordo financeiramente vantajoso com o marido de sua cunhada. Para isso, só precisa ficar um mês com Max. O garoto, que adora as lutas entre robôs, percebe que foi negociado pelo pai e inicia com ele uma relação tumultuada.

As cenas iniciais, em que Charlie viaja sozinho por estradas desertas, levando seu robô para apresentações, contrasta diretamente com as que ele e Max procuram novas lutas nos circuitos oficial e paraoficial. Charlie, com a companhia de Max, passa a ser confrontado com sua arrogância e prepotência, enquanto o garotinho, que parece ser mais maduro que o pai, dá a ele pequenas lições de vida, baseadas, ao mesmo tempo, em humildade e impetuosidade.

 Os robôs, apesar de lindos, brilhantes e cheios de tecnologia, trazem um quê de Mad Max e de Rocky 1. Eles são da 3ª geração - os da 1ª, ensina Charlie, deveriam ser o mais parecidos possível com os humanos. Além de máquinas de briga, tratados como celebridades, os robôs também servem como bengalas na união de personagens da trama. São eles que fazem com que as relações entre Charlie, Max e Bailey (Evangeline Lily) fique mais suave. O robô de Max, Atom, é quase humano. Consegue expressar emoções, como determinação e empatia.

Mas no final, o filme é só um apanhado grande de clichês sem apresentar nada de novo ou de emocionante. Nem a relação de Atom e Max consegue emocionar. Nem o bonitão Hugh Jackman empolga.

E tem a pérola: Charlie compra um robô usado, que já foi campeão. Em sua caixa, adesivos com os vários lugares por onde a máquina passou: Japão, Estados Unidos e outros países. Entre eles, Brasil e São Paulo. Isso aí, São Paulo como um país... E, de quebra: "Os brasileiros são loucos por essas coisas de controle". Tsc, tsc...