sábado, 5 de novembro de 2011

E no final...

O tempo passou. Foi no dia 7 de maio que vi um carro plotado da Dirigindo Bem na av. Prudente de Morais. Eu estava no banco de trás do carro do Lauro - ele e o Leo estavam procurando uma loja de bicicletas. Paramos ao lado do carro, no sinal, e o Lauro pediu um cartão deles, enquanto eu anotava o telefone no celular. Era um raiozinho de esperança pra mim, após tanto tempo com medo de dirigir.

Enquanto os dois entravam na loja e ficavam perdidos no mundo de opções para bikes, do lado de fora eu pensava se valia a pena ligar ou não. Decidi que, ao menos, iria tentar. Enquanto a Daniela me dizia que deveríamos marcar uma avaliação, minhas mãos tremiam. Não me lembro direito, mas acho que cheguei a gaguejar enquanto conversava com ela. E ficou marcado: dia 14 de maio, próximo sábado, a avaliação.

Na minha ingenuidade, acreditei que chegaria lá e conversaria com alguém para explicar as minhas dificuldades, antes de entrar no carro. Enquanto preenchia a ficha, observei a mulher ao meu lado. Ela tremia bem mais do que eu. Nós duas estávamos lá para fazer a avaliação. Dividíamos um problema e a busca da solução. E lá fomos, as duas, direto para o carro. Meu pânico foi crescendo - será que ninguém vem conversar comigo antes de eu chegar perto do carro? Onde fica a saída de emergência?

A minha companheira foi para o Uno e eu para o Siena. Apesar de toda a paciência do Reginaldo, eu mal consegui arrancar o carro e atravessar uma avenida calma (mas cheia de crianças brincando e adultos caminhando) no Santa Lúcia. Parei o carro e chorei de desespero. Não havia muita esperança. Mas decidi brigar e consegui andar mais um pouco. Ele me aconselhou a tomar 32 aulas - mais do que foi preciso para que eu tirasse carteira. Um tempo enorme, levando-se em conta que eu só poderia treinar aos sábados. Meu desespero era tanto que saí do carro direto para a sala do psicólogo. E me vi, de novo, frente aos medos mais profundos, aqueles que abalam toda a estrutura que levei anos pra conseguir construir.

Aceitei a proposta das 32 aulas, me inscrevi e no sábado seguinte, 21 de maio, lá estava eu, de novo, no Santa Lúcia, na direção do Siena, com Reginaldo do lado, me guiando.

As primeiras aulas foram duras. O medo e a ansiedade estavam mais presentes do que tudo, até mais do que a vontade de vencê-los. Eu saía das aulas feliz por ver que ainda havia um pouco de habilidade em mim, mas arrasada com minha incapacidade de usá-la adequadamente.

Mas o destino - ou deus ou o que quer que seja - foi generoso comigo. Porque o Geraldo apareceu na minha vida. Em nossa primeira aula, eu já voltei com o carro para a Dirigindo Bem. Feito inédito: o pequeno trecho da Av. Nossa Senhora do Carmo, entre a entrada do Belvedere e a escola era do tamanho de um mundo - enorme e assustador. E o Geraldo, sem me perguntar se eu queria ou podia, me empurrou para lá. No susto. E eu sobrevivi. E senti de novo uma pontada de esperança.

O meu processo de aprendizado na Dirigindo Bem foi maravilhoso. Com o Geraldo, aprendi a enfrentar o que a direção prática traz, para o bem ou para o mal. Aprendi também a manter a calma, a fazer tudo devagar enquanto estiver com pressa e a me valorizar - o Código do Geraldo proíbe que eu fique me xingando. Com o Rafael, aprendi a me conhecer melhor. Muito - pra não dizer quase tudo - que conversamos lá na sala dele afetou a minha vida para além daquelas portas, para além do ato de dirigir. Porque dirigir só reflete quem somos e o que fazemos na "vida real". Com Hariel, Daniela, Marcelo e João, aprendi que o universo conspira para que tudo dê certo. A calma e a paz que os quatro me transmitem foi fundamental para que eu tirasse os pés do chão - e a bunda da cadeira da recepção - e fosse lá pra fora, por as mãos no volante.

Ao Geraldo eu já agradeci - em todos os dias de nossas aulas, praticamente, falo da importância dele na minha vida. Aos outros que fazem parte da equipe (Rafael, João, Hariel, Daniela e Marcelo), queria deixar meu agradecimento também. Sozinha, eu não teria ido tão longe. Sozinha, possivelmente, eu jamais teria colocado o rosto pra fora da minha zona de conforto.

O tempo passou. O que teve início dia 7 de maio termina agora, dia 5 de novembro. Mas não é um ponto final. É um reinício. Vocês foram o apoio que eu precisava para ver que, afinal, eu consigo tomar as rédeas da minha vida e percorrer meu caminho. Seja ele qual for, seja onde for, seja como for.