quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Desafio Literário - novembro # novo



O livro de novembro foi Mais pesado que o céu - Uma biografia de Kurt Cobain. Comprei o livro por engano, para dar de presente para a minha amiga oculta de 2010. Como ela já o tinha, fiquei com ele. Leo começou a ler e depois foi a minha vez. A expectativa era grande, já que eu tinha vontade de ler o livro desde o seu lançamento, mas nunca o encontrara à venda.

No início, é fácil se apaixonar pelo Kurt. Primeiro, porque a minha geração entrou para a adolescência ouvindo as músicas dele. Lembro até hoje da minha vizinha me mostrando o vinil de Nevermind, o disco mais famoso do Nirvana - Kurt Cobain era vocalista e compositor da banda). As músicas embalaram vários momentos da minha vida e dos meus amigos.

E na primeira parte do livro somos apresentados a um garoto frágil, cheio de habilidades artísticas (em especial, plásticas), muito ligado à família. Tanto que fica extremamente abalado com o divórcio dos pais. O que parecia ser uma família normal vira um pequeno pedaço de inferno - os pais iniciam um período de animosidade que não termina nem com a morte de Kurt.

O divórcio abalou profundamente o garoto. Ele se sentiu rejeitado pelos pais e tentava, de todas as formas, chamar a atenção deles. Viveu durante o tempo com o pai, em harmonia, mas quando ele se casou novamente, Kurt enxergou a nova família como usurpadora do pai. Aí teve início uma série de conflitos que só terminaram pouco depois que Frances, a filha de Kurt, nasceu. Com a mãe a relação também ficou difícil, mas melhorou ainda no fim da adolescência do garoto.

Enquanto atormentava seus pais, Kurt tentava se encaixar no mundo. Sempre teve habilidade para artes e nenhuma para ser um estudante convencional. Começou a tocar guitarra e a escrever obstinadamente. Seus diários formaram uma importante base de pesquisa para Charles Cross, o autor do livro.

Kurt viveu como errante, morando em várias casas de amigos, em carros, dormindo em salas de esperas de hospitais enquanto não tinha teto. Enquanto isso, insistia em montar bandas. Escrevia letras, estudava instrumentos, escolhia bateristas e lutava para sobreviver da música.

Do uso do álcool e da maconha, Kurt passou a outras drogas e se viciou em heroína. O abuso da droga foi responsável por sua derrocada. Courtney Love, sua esposa, também era viciada, mas pela filha Frances segurou a onda por mais tempo. Como pais, os dois eram estranhos. Vinham de histórias familiares de abandono e desamor, e decidiram ser extremamente amorosos com a filha. E eram. Porém, os dois se drogravam muito, mesmo com a menina ainda bebê.

Kurt queria muito o sucesso e, quando o encontrou, não sabia o que fazer com ele. Cross conta que ele sofreu várias overdoses de heroína e Courtney era a responsável por reanimá-lo, quase como uma enfermeira especializada. No início de 1994, ele tentou se matar tomando 60 comprimidos fortes, que usava para aliviar as dores da abstinência de heroína. Foi encontrado com vida e levado ao hospital. Pouco tempo depois, Courtney resolveu tratar o vício e ele foi praticamente forçado a se internar. Porém, fugiu do hospital, voltou para casa e, com uma espingarda, se matou.

A história é bem conhecida. Porém, no livro, Cross traz detalhes muito interessantes sobre a personalidade de Kurt, especialmente com os textos tirados de seus diários. Seu comportamento destrutivo pode ser "justificado" pela vida que ele teve? Talvez essa seja a grande pergunta do livro, que fica aberta para o julgamento o leitor. É uma leitura tensa, triste, mas muito boa.