domingo, 23 de outubro de 2011

Livro: Os delírios de consumo de Becky Bloom

Não sou uma grande apreciadora de Chick Lit (os livros dedicados a histórias românticas e divertidas, voltado para garotas) - aliás, não gosto do termo Chick Lit. Mas, de vez em quando acabo curtindo alguns dos livros dessa vertente.

Em Os delírios de consumo de Becky Bloom, a protagonista é uma jornalista de finanças que não consegue controlar sua vida financeira e vive tento impulso malucos de consumo. Enquanto tenta fingir que gosta de seu trabalho em uma revista mensal de economia financeira, Becky foge das cobranças do banco e do cartão de crédito e gasta o que tem e o que não tem em compras completamente inúteis. Ela vive, praticamente, em um mundo paralelo, onde é fácil gastar sem medo de ser feliz. Basta colocar as cartas de cobrança na gaveta da escrivaninha ou simplesmente jogá-las fora e puf... seus problemas acabaram.

O que me irrita na Chick Lit é exatamente isso: não importa a vida e os problemas da mocinha. Ela sempre vai superar. Da forma mais correta ou não. No caso de Becky Bloom, a crise financeira afeta seu humor e sua estabilidade mental. Ela foge mais ainda dos problemas e, de uma forma quase mágica, tudo se torna lindo e perfeito. Dá vontade de sacudir a heroína, fazê-la ver que o mundo real está aí, na sua frente, enquanto ela, quase que numa atitude esquizofrênica, cria uma realidade paralela.


Este é o primeiro livro da "série" Shopaholic, que hoje conta com sete volumes. Ou seja, o mundo paralelo de Becky Bloom continua.

A parte mais interessante do livro, pra mim, é a crítica sutil que a autora Sophie Kinsella faz à imprensa. As coletivas inúteis, as matérias sem sentido, as agências de relacionamento que direcionam os jornalistas à base de champanhe e presentinhos são alguns pontos levemente introduzidos pela autora, pelo filtro do olhar meio maluquinho de Becky Bloom.

Vale a pena ler nos momentos em que aquela historinha leve, só para diversão rápida e rasteira.