terça-feira, 25 de outubro de 2011

Filme: Rio

Rio - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Carlos Saldanha, Earl Richey Jones
Elenco: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, George Lopez


Preciso confessar que não era lá muito fã de animação. Foi preciso fazer um curso de Teoria, Linguagem e Crítica de cinema para entender que esses filmes têm seu lugar. A técnica, os detalhes, os enquadramentos, a iluminação e tudo o mais têm sido tão bem explorados como num filme "real" com atores.

A mais famosa animação com o Rio como pano de fundo foi Aquarela do Brasil, de Walt Disney. Este ano, o brasileiro Carlos Saldanha levou às telonas a nova animação que apresenta o Rio de Janeiro de hoje: os morros, as favelas, o tráfico de animais, a alegria do povo e as cores do carnaval.

Blu é uma arara brasileira capturada e levada para os Estados Unidos. Um pequeno acidente com o caminhão que a transportava, no estado de Minesota, faz com que a gaiola de Blu vá parar na porta da casa de Linda, uma garota que logo se apaixona pela ave. As duas crescem juntas e em harmonia até o dia em que Tulio, um ornitólogo brasileiro aparece pedindo que Linda leve Blu ao Rio de Janeiro para se reproduzir, pois sua espécie está ameaçada de extinção. Eles chegam nos dias do carnaval e muitas confusões acontecem.

Não há como negar que a animação é linda. Carlos Saldanha se superou nos desenhos, nas cores e nos movimentos dos personagens. É de uma beleza impressionante as cenas de vôo das aves e o ápice do filme, no desfile de escola de samba, no Sambódromo. Também tem seus momentos engraçados, como o namoro das aves ao som de Say you,m say me, de Lionel Ritchie. O momento do namoro no bondinho de Santa Tereza é tão lindo, com as flores, o clima, a intensidade das cores...

Por outro lado, o filme reforça os clichês de sempre: mulatas sambando, alegria contagiante, praia e sol são a coisa boa do Rio de Janeiro. As favelas são escuras, sombrias, e lá mora o mal, os traficantes, os ladrões, os inescrupulosos. Pouquíssimas pessoas das favelas são realmente boas. Cor, só mesmo fora dos morros. Lamentável.

O roteiro é bem bobinho e se perde em clichês como "voar é que se tem no coração", com o romance entre Tulio e Linda crescendo em paralelo com o Blu e Jewel. O final é previsível e a conclusão é única: em termos plásticos, é um belo filme. Mas só.