sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Filme: A árvore da vida

The tree of life - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain

Minha expectativa para ver o filme era enorme, principalmente por causa das notícias que eu andei vendo por alto. Muita gente dizendo que amou o filme e a mesma quantidade de gente dizendo que odiou. Meu companheiro de cinema odiou, eu amei.

A sinopse é simples: a relação de um pai e de um filho contada desde o início dos tempos, entremeada com questões sobre bondade, afeto, amor, direitos. Mas isso não basta para entender essa obra magnífica. Se a história não é linear, se não há muitos diálogos e se não há grandes reviravoltas no roteiro, o público, em geral, estranha. E o ritmo lento da obra não favorece a percepção de sua grandiosidade pelos espectadores comuns.

Os atores apresentam um trabalho muito bom. O destaque é Sean Penn, que interpreta Jack. Ele aparece sempre massacrado pela morte do irmão, muitos anos depois, e com sua relação conturbada com o pai. Sempre está em ambientes sempre limpos, funcionais e enormes. Salas com pés-direitos altíssimos, elevadores panorâmicos indo para o alto, prédios envidraçados grandes. Mesmo em sua casa, o ambiente é limpíssimo mas não é acolhedor.

Por outro lado, na casa de sua infância, vemos um ambiente com decoração intimista, cuidadosa, cheio de cortinas esvoaçantes, quintal grande, gramado, janelas pequenas e sempre abertas. E o que começa com uma família feliz vai, aos poucos, mostrando as relações tão comuns do dia-a-dia: conflitos, brigas, alegrias com pequenas coisas, a descoberta da vida além das paredes do lar.

As relações entre o Jack criança e seu pai são tensas, quando o menino começa a deixar a infância. Mr. O'Brien (Brad Pitt) é exigente demais com seu filho mais velho. Exige dele que ajude no jardim da casa, que seja tão respeitador com o pai quanto uma criança nunca consegue ser. E é tão severo que me fez ter arrepios e a sensação de que essa parte do filme já era bem minha conhecida. 

Uma das principais questõs levantadas pelo longa é a relação entre o ser humano e a religião. Ao receber a notícia da morte do filho, Mrs. O'Brien começa a questionar as lições aprendidas em um colégio de freiras: a vida pela graça, ao contrário da vida regida pela natureza, reserva grandes recompensas. Ela, que optou pela vida comandada pela graça, como pode ter um filho morto? Enquanto ela e o marido se questionam, vemos uma série de imagens que optam pela teoria evolucionista da vida. O contraponto é excepcionalmente bonito. As imagens lindas, com um tratamento estético primoroso.

É uma forma um tanto diferente de debater a questão da religião e de como as "respostas" que ela oferece são falhas diante do desenrolar da vida. Elas não consolam, não aliviam, não diminuem as dores dos viventes. Malick explora praticamente sem palavras essa delicada questão que permeia praticamente todas as esferas da sociedade atual, em qualquer canto do planeta.

Uma obra belíssima, que deve ser apreciada com calma.