sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Saúde, ou a falta dela

Na época da faculdade, caiu no meu colo a oportunidade de trabalhar na TV universitária. Nunca tinha pensado em trabalhar em TV, mas como a chance praticamente me fisgou no meio do caminho, lá fui eu aprender um bocado. Foi bom, uma experiência marcante em vários sentidos. Só que me esgotou. Meu estágio lá era de 4h diárias, mas eu ficava mais do que o dobro, matava aulas pra terminar de editar os programas de cinema que fazia e ainda gastava uns sábados por lá. Ao fim de um ano e meio, eu estava quebrada, desorientada, cheia de dúvidas e uma certeza: não queria mais trabalhar em televisão. Pedi pra saí e, no meu primeiro dia de desemprego, passei na entrevista de um estágio em assessoria de imprensa, a parte da comunicação que me fascinou. Só que os excessos da época da TV fizeram eco: dois meses depois eu precisei ser afastada do novo trabalho com diagnóstico de estafa.

Não lembro muito bem dos sintomas (já falei que a minha memória é péssima?), só que eu vomitava muito, e eu não costumo vomitar. Tinha muita dor de cabeça, tanta que a primeira suspeita é que eu poderia estar com meningite. Foram duas semanas em casa, tomando remédios e tentando mudar de hábitos. Foi assim que voltei pra natação (e fui obrigada a ouvir o instrutor me dizer pra parar de fumar, enquanto eu tentava explicar que nunca fumei na vida, afff...).

Foi o fôlego que, mais uma vez, chamou a minha atenção. Desde maio, quando comecei a pedalar, tenho ficado assustada com o tanto que meu coração dispara. Era só lá, no meio da trilha. E bastava parar um pouco que ele voltava ao ritmo normal. Depois, vieram as disparadas durante o trabalho e, principalmente, à noite. Acordar com o coração disparado não é muito agradável.

Fui procurar um Tio Cardiologista. Primeiro, o eletrocardiograma deu que estava tudo certo. Depois, o Holter, que é um eletro 24h, mostrou que meu coração dispara sim, dentro do normal, em horários estranhos (o pico foi às 17h09, enquanto eu estava calma, no escritório, em frente ao computador). O terceiro exame foi o ecocardiograma, que mostrou que meu coração é normal, saudável, forte e vai muito bem, obrigada. E o diagnóstico, então? Estresse.

Estresse porque a vida anda uma loucura. Trabalho intenso, e muito, do tanto que parece que eu nunca vou dar conta de terminar. Vida pessoal agitada, com essas mortes todas na família Mendes Barros, que desestruturam a vovó e me derrubam junto. Essas duas coisas juntas têm me impedido de ter tempo livre, de fazer as coisas que eu gosto e que me tiram a atenção na rotina. Ler está sendo impossível. Cinema, de vez em nunca (tem me salvado o Cineclube do Cine Vila Rica, e olhe lá). Bike, há mais de um mês tá lá no canto, empoeirando. E, enquanto isso, meus planos vão sendo engavetados. Ao menos, sobra a viagem pra Goiás, em novembro.

O que tem de bom é que eu estou conseguindo manter a sanidade mental, dentro do que é possível. E isso já é bom um tantão assim, né? Ainda não sei direito o que fazer pra reverter esse quadro, só tenho a certeza de que vai passar. Haverá equilíbrio sim, mesmo que demore.