domingo, 11 de setembro de 2011

O 11, dez anos depois

Hoje o mundo vai estar infernal lembrando os 10 anos dos ataques do 11 de setembro, nos Estados Unidos. Eu mesma, já não aguento mais escutar isso. Só que, ao ver as reportagens sobre o tema, é impossível não me lembrar do 11 de setembro de 2001, porque foi o dia da dor de cabeça mais louca da história. E só porque no mesmo dia aconteceram os atentados, eu consigo saber a data.


Eram umas 3 horas da manhã de 11 de setembro de 2001. Eu acordei assustada, com a maior dor de cabeça que já tive na vida. Era como se fossem três crises de enxaqueca ao mesmo tempo. Doía até pra me mexer. Eu não conseguia nem falar. O que não adiantaria nada. Na época, eu morava sozinha num apê pequeno no bairro Santa Tereza, em BH. Estava lá há pouco mais de um mês, não conhecia os vizinhos e, mesmo se conhecesse, como eu iria fazer para chamá-los? A voz não saía.

Lembrei do remédio para as horas de emergência. Era só tomar, ficar quietinha e esperar o efeito começar. A dor aguda diminuiria e eu poderia, depois, cuidar da dor crônica. O problema é que o remédio estava na cozinha, ao lado do filtro. E eu não conseguia me mexer sem sentir mais dor. Não queria chorar, mas era o que acontecia. Um tantão de lágrimas desciam involuntariamente dos meus olhos enquanto eu tentava levantar da cama. Quando consegui ficar de pé, caí no chão. A dor da queda (bati o ombro no criado-mudo) não foi nada perto da dor de cabeça. Fiquei no chão e fui me arrastando para a cozinha. Demorou, mas consegui chegar. Depois, foi uma luta para ficar de pé e alcançar o remédio. Tomei, escorreguei na parede, sentei no chão e fiquei esperando começar o efeito.

Quando consegui voltar pro quarto, já eram quase 5 horas da manhã. Deitei e esperei. Não conseguia dormir, continuava sem conseguir falar e, como a dor não diminuía, achei que fosse morrer ali, na solidão do apartamento. Ia ser um fim digno (outro dia falo sobre isso).

Por volta das 8h10, eu já conseguia falar, com a voz mais embolada do mundo. Como a dor inicial tinha diminuído, eu já conseguia fazer algumas pequenas coisas, peguei o celular e liguei pra minha chefe. Falei da dor e da impossibilidade de ir trabalhar. Ela foi compreensiva, me deu o dia de folga. Eu ainda achava que ia morrer ou, no mínimo, enlouquecer. Liguei o rádio na CBN e continuei deitada, na única posição em que a dor era menos intensa. Eu só queria escutar voz de gente...

Não lembro direito a que hora o locutor informou do acidente com um avião e a torre do World Trade Center. Nem prestei atenção direito. Logo depois, outro aviso de mais um avião e outra torre. E eu preocupada que a dor aguda, apesar de estar menor, não tinha passado ainda. O telefone tocou, era o Leo, me contando que as torres tinham caído. Eu, meio bêbada de dor e de remédio, dizia que não, foi só um acidente. E ele insistindo, que estava vendo tudo pela TV. Aproveita que você não foi trabalhar e liga a TV. Ei, eu não tenho TV, lembra? Não tinha televisão, por vontade própria. Também não tinha sofá. Só fui ter essa dupla um tempão depois, quando vovó resolveu que iria dormir lá comigo em alguns fins de semana.

Fiquei imóvel, na cama, até lá pelas 4 horas da tarde. Foi quando consegui sair, tomar um banho e olhar pro meu reflexo encaveirado no espelho. Liguei pro Leo e pedi arrego. Fui pra casa dele de mala e cuia, morrendo de medo de ter outra crise. Lá eu estaria assistida. E foi lá que eu vi, já de noite, as imagens do ataque ao World Trade Center.

Não é que o atentado tenha passado despercebido. É que a minha lembrança maior daquele dia foi a dor como nunca antes tinha sentido. E como, ainda bem, nunca mais voltei a sentir. Passei mais uns três dias falando embolado, com dor na mandíbula (suspeitaram de ATM, mas não era), dor nos olhos (especialmente ao olhar pelo canto deles), a cabeça pesada, parecendo que ia explodir. Fui a vários médicos de especialidades diferentes. E foi só no reumatologista que tudo começou a mudar. Hoje, 10 anos depois, tenho uma média de duas crises de enxaqueca por ano. Saldo mega positivo.