sábado, 17 de setembro de 2011

Livro: Jane Eyre

Eu devia ter uns oito anos quando li uma edição de Jane Eyre voltada para adolescentes. Era um livro fininho e ilustrado, com desenhos só em traço preto, muito bonitos. A história da Jane me comovia e não tenho a conta de quantas vezes reli o livro. Sempre com a ideia de comprar o texto integral assim que fosse possível.

A editora BestBolso tem lançado uma série de livros com texto integral e a preço acessível. Sempre que paro em uma livraria, passo os olhos pelos títulos de bolso e pelo totem da BestBolso. Na Leitura do Pátio Savassi, em BH, encontrei o Jane Eyre original. Comprei e, como o formato favorece, o livro ficou morando na minha bolsa. Recorri a ele em várias intervalos, salas de espera, ônibus e outros momentos de relativo ócio.

Charlotte Brontë é irmão de Emily Brontë, autora de O Morro dos Ventos Uivantes. As duas tinham uma irmã e um irmão e eram órfãos. Durante um bom tempo, cultivaram, juntos, o hábito da leitura e da escrita. As três irmãs chegaram a publicar livros com pseudônimos masculinos. Quando assumiram seus nomes verdadeiros, Emily fez mais sucesso. Porém, eu gosto mais do livro da Charlotte Brontë, talvez por ter lido a adaptação incontáveis vezes.

Jane Eyre narra a sua própria história: órfã, é levada para a casa do tio, irmão da mãe. O parente logo morre e ela fica à mercê da tia e dos primos, que a maltratam. Dali para o colégio interno é um pulo, mas Jane vê nisso a oportunidade de ser independente. Aos 18 anos, consegue um emprego como professora de uma criança francesa em uma casa no interior da Inglaterra. Frágil na aparência, mas forte no caráter, ela enfrenta os desafios de uma nova vida, e são muitos. O livro deixa sempre a "lição" de que todos têm direito à felicidade, independente do sexo - e a questão da mulher ser submissa era algo indiscutível na época da publicação do livro, em 1847. Por esse motivo, há uma série de críticas à sociedade inglesa, com suas "castas" e sua relativa imobilidade social.

O lado ruim é o excesso de apego à religião. Volta e meia a autora insere algo com apelo religioso, o que pode ser compreendido devido à epoca em que o livro foi escrito. Fora isso, é tão romântico quanto um livro do século XIX pode ser, com aqueles arroubos de paixão que, hoje, parecem surreais. Mas que não deixam de ser lindos.