sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Filme: Planeta dos Macacos - A Origem

Rise of the Planet of the Apes, 2011 (mais informações aqui)
Direção: Rupert Wyatt
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow

Já falei que ando com preguiça do James Franco, né? Pois é... Também preciso dizer que não vi os filmes anteriores, porque nunca fui chegada nesse tipo de filme. Mas o curso que fiz com o Pablo Villaça me fez entender que não posso ter esse tipo de preconceito (tapa na cara de quem - eu mesma - não conseguiu ver o filme do post abaixo).

O filme discute os limites da ciência e contribui para abrir uma boa discussão sobre o uso de animais em pesquisas farmacêuticas e o limite dessas pesquisas. James Franco é Will Rodman, um pesquisador às voltas com um medicamento para Alzheimer que, ele acredita, pode curar seu pai. Ter a doença em casa, tão próxima, o faz perder os limites. Ele rouba, manipula e trapaceia a empresa onde trabalha para conseguir testar seus experimentos. Usa, para isso, seu próprio pai, após o laboratório suspender até mesmo os testes com os macacos. Isso porque um dos macacos dos testes promoveu um quebra-quebra no laboratório ao se sentir ameaçado - até então ninguém (ninguém mesmo) sabia que o número 9 era uma macaca e que ela estava grávida. Sua fúria era para proteger seu filhote que ninguém (ninguém mesmo) do laboratório sabia que existia. A macaca é morta, a pesquisa encerrada, os outros macados são sacrificados e Will leva o filhotinho para casa, num ato de extrema (ahammm) bondade.

Os efeitos especiais são meio toscos. Reconheço que os macacos são bem próximos da realidade, mas ficam bem estranhos, especialmente nas cenas com humanos (me abstenho de comentar a parte do confronto da ponte).  James Franco está com a mesma cara de sempre, não importa em qual cena. Freida Pinto é linda e protagoniza um momento completamente dispensável (na tal cena da ponte). John Lithgow convence como o paciente de Alzheimer.

Cesar, o macaco, vive relativamente feliz no sótão da casa de Will, vendo o mundo externo pela janela em formato de óculo. A mesma janela que ele desenha na parede da prisão para primatas e que, dias depois, apaga, revoltado com os humanos. E é essa revolta que faz com que ele, com sua inteligência superior, despertada pelo remédio dado a sua mãe, consegue dominar os macacos do abrigo e iniciar uma fuga espetacular. Como em 2001 Odisséia no Espaço, a descoberta de uma arma significa um novo estágio na vida dos primatas.


A crítica aos caminhos da humanidade é o mais interessante do filme, a começar pela cena inicial, em que os macacos são capturados na mata. Ou quando Cesar, o filhotinho de macaco adotado por Will, acaba sendo levado para uma espécie de abrigo que, aparentemente, é até adequado. Mas, nas entranhas, é como a sucursal do inferno. Até um gorilão preso e irritadíssimo com isso tem lá. O medicamento criado por Will tem um efeito interessante em seu pai, o faz recuperar o que o Alzheimer degradou, mas traz efeitos colaterais. Ele continua a pesquisa e o novo medicamento é ainda mais forte que o anterior. Nos macacos, ele aguça a inteligência e não tem efeitos negativos. A mensagem é clara: o que se testa em animais não é necessariamente bom para os humanos; sendo assim, por que há esses testes? A obsessão de Will pela cura do pai é maior do que o instinto de proteção, afinal ele coloca o pai em risco...

Como tem acontecido nos filmes recentes, as portas estão abertar para uma continuação.