sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Adê

Já falei da Tia Leda aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.  Mas ainda tem muita coisa pra contar.

O nome correto era Edyaleda, seguindo a linha de Y que meu bisavô tanto gostava, e em homenagem a uma Adelaide qualquer. Mas como Vô Procópio achava o nome feio, inverteu e ficou Edyaleda. Ela odiava o nome, dizia que era uma frase (é dia, Leda). Ela também era cheia de complexos. Usava óculos, num caso não tão comum de ter miopia no olho direito e hipermetropia no esquerdo. Tinha praticamente todos os problemas de saúde do mundo, mas nem por isso era triste ou amarga. Ela tinha um humor fino.

Era irmã do meu avô e era solteirona. Morava com Tia Ylza, as duas sempre juntas. Trabalhavam juntas, no departamento pessoal da Central do Brasil, em Ouro Preto. Era com ela que eu brincava de Araxá, no período de três anos em que as duas moraram aqui em casa, enquanto a casa delas era reformada.

Ela me chamava de "a menina", e não escondia de ninguém que eu era a sobrinha-neta favorita. De ninguém mesmo. Nossa relação era muito próxima. Tanto que, quando ela teve o AVC, só lembrava da Tia Ylza, de mim e do Paulo. Mesmo quando ela pirava, falando coisas incompreensíveis, nós tínhamos conversas enormes e divertidas.

Daí que no dia 16 de setembro de 2007, uma semana antes do meu aniversário, ela morreu. Eu estava lá, no hospital. Paulo e eu, cada um de um lado da cama, segurando as mãos dela.

No hospital, respirando mal, mas sempre sorrindo
Meu avô só chamava a Tia Leda de Alê. E foi assim que tentaram me ensinar a chamá-la, quando eu estava aprendendo a falar. Diziam assim: A-lê; eu respondia: A-dê. Foi assim até que virou verdade. Era a Adê e pronto. Com a Tia Ylza foi a mesma coisa. Diziam: Yl-za;. eu respondia: A-ia. Virou Aia. Depois, Aya, porque todos os nomes dos irmãos levam Y.

Eu era "a menina" delas. Elas são as minhas Aya e Adê.