terça-feira, 2 de agosto de 2011

Excesso de juízo

Minha arcada dentária nunca foi compatível com meus dentes. Daí que, aos 11 anos, lá fui eu toda feliz - e iludida - usar aparelho ortodôntico. Era novidade no meu círculo de amigos, eu estava achando o máximo. Até descobrir que o primeiro aparelho que usaria seria aquele conhecido como "freio de burro". Pra abrir a arcada e caber tudo direitinho.

Eu tinha de usar o aparelho externo 15 horas por dia. Somando as horas de sono, dava pra ir pra escola sem ele, o que foi muito bem aproveitado. Era chegar em casa, almoçar e colocar o bendito. A partir daí, não tinha desculpa, eu ia pra todo lugar aparelhada. Inclusive voltava pra escola, todo dia, para buscar meus irmãos. Foram seis meses. Depois veio o fixo, durou cinco anos. Era legal, apesar de chato, eu até gostava e senti falta quando tirei e ele foi substituído pelo móvel de contenção.

Nesse meio tempo, como a arcada era incompatível, tirei quatro premolares. E os sisos inferiores, que ainda nem tinham nascido, mas que já pressionavam os dentes de baixo, atrapalhando o trabalho todo do ortodontista. Os sisos de cima não me trariam problema, disse o doutor. Aos 18, parei de usar o aparelho móvel e fui ser feliz e sorridente.

Mil anos depois, lá vou eu feliz e sorridente ao dentista, pra olhar o bruxismo. Sempre achei que quem range os dentes sofria mais, mas Tia Dentista disse que não ranger - meu caso - é pior, porque trava a mordida. Aí ela me diz que eu preciso, sim, fazer a placa pra prevenir o bruxismo. Mas, pra isso, vou ter de extrair os sisos superiores, aqueles que não me trariam problemas, segundo Tio Ortodontista.

Sabe uma coisa que parece tãããão, mas tããããão século passado? Tão coisa de adolescente? Pois é... Lá vou eu tirar os sisos.

Segundo a Ju, provavelmente agora eu vou começar a perder um pouco do juízo, que às vezes é excessivo. Então tá, né?