quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Desafio Literário - Julho/Agosto: A Ilha do Dia Anterior

Sempre que leio um romance de Umberto Eco, acabo ficando com raiva. Sempre chego à conclusão de que ele escreve romances apenas para mostrar o tanto que é erudito e inteligente. Foi assim com todos que eu li (O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault, Baudolino e A Misteriosa Chama da Rainha Loana). Como autor teórico, ele é fantástico e fundamental para a área da Comunicação. Como romancista, ele é tão bom quanto, mas dá raiva, muita raiva o tanto de erudição que ele vomita nas páginas, como se houvesse necessidade disso.


A Ilha do Dia Anterior conta a história do italiano Roberto, um jovem nobre que enfrenta uma guerra e, num golpe de sorte, acaba recebendo uma missão que seria algo como uma "espionagem industrial". Ele estava a bordo do navio Amarili, que sofre um naufrágio. Roberto é o único sobrevivente e se agarra a uma tábua e fica vagando pelo mar. Encontra o navio Daphne ancorado. Está vazio, parece que a tripulação o abandonou ontem. Há víveres, animais vivos. Só faltam as pessoas.

Enquanto pensa em como chegar à ilha, que vê próxima ao navio, Roberto relembra a sua vida (e tome erudição de Umberto Eco) e escreve cartas a uma senhora. Suas memórias são confusas, o que leva o leitos a duvidar da sanidade mental do herói. Algo que, depois, o autor vai explorar com maestria em Baudolino.

Enfim, vencer a erudição do Eco é duro, mas no final, o presente é uma história fantástica. Ou seja, vale insistir nos livros, sempre há uma grande história neles.