quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Altas

Quando a gente é criança e brinca de pique, em algum momento vai gritar que está de altas. É aquele refúgio mágico em que nada acontece com você. Pode cair o mundo, qualquer pessoa pode te pegar, mas nada vai acontecer. Você é superior, você está de altas.

Também tem a figura do "café com leite", ou "carta branca', que é mais superior ainda: está sempre imune. O Otávio, quando brincava com a galera do prédio, sempre era "carta branca", porque era muito pequenininho. Mas como a cor favorita dele era azul, éramos obrigados a dizer que ele era "carta azul".

Isso tudo pra dizer que, a partir de hoje, não vou mais semanalmente à análise.

Depois de um mês de férias, quando meu mundo caiu (valeu, Maísa!) por uma série de razões alheias à minha vontade (depois eu conto), consegui sobreviver sozinha. Flávia estava longe demais para ser chamada. Não era justo da minha parte correr atrás dela. Então, sozinha, fui passando por cada uma das turbulências (e como houve turbulências...). Ao final, tudo deu certo.

Eu não sabia que estava preparada pra enfrentar tudo o que veio. Mas estou, e me sinto feliz e orgulhosa por isso. Assim, acabei voltando àquele assunto de janeiro deste ano: espaçar os encontros. E acho que agora é uma boa hora. Porque, se eu não achar que deu certo, posso voltar ao que era antes e continuar sendo feliz.

Não considero uma alta. Vou chamar de "altas". Porque é confortável, porque eu posso simplesmente sair do estágio de "altas" e voltar pro jogo ou, ainda, passar para o momento"café com leite".

Ainda falta muito pra caminhar - na verdade, essa caminhada só termina com o fim da vida. Mas é bom saber que estou mais forte pra percorrer qualquer caminho. E também é bom ter a certeza de que, não importa o que vier, a Flávia sempre vai estar aqui pertinho. Mesmo que ela esteja em outro ponto do mundo.