quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um tapinha que dói, e muito

Breno e eu conversamos muito, como sempre. Acabou saindo o papo de educação e sobre bater ou não nos filhos. Taí uma coisa em que eu tenho uma opinião sólida e cristalizada.

Acho que, seja quem for (pai, mão, parentes ou qualquer outra pessoa) que bata em crianças é um covarde de marca maior. E quem diz que bater é uma forma de educação é desinformado pra caramba.

Daí que a criança faz uma coisa qualquer que um adulto "responsável" considera errada. O sujeito vai lá e dá um tapa, um beliscão ou qualquer outra coisa e, assim, a criança não repete o ato. Desde quando isso é educar? Se for, aquela experiência que estudantes de psicologia fazem com ratos também é educação. O rato "aprende" que o caminho está errado porque leva um choque. A criança "aprende" que está errada porque leva uns tapas. Ela, por acaso, consegue entender o que está acontecendo? Ou vai apenas não repetir o ato para evitar a dor da surra?

Desde quando isso é educar, heim?

Um argumento dos agressores é que as crianças aprendem a respeitar a autoridade. Mentira! Respeito é o que menos se aprende com agressões. O que se aprende é que há que se ter medo, e medo é muito diferente de respeito. E, pelo que eu me lembre, quem gosta de impingir medo em outras pessoas... melhor nem comentar, né?

Quem bate, além de não entender nada de educação, ainda exerce a mais fina covardia. Ou tem outro nome um adulto bater numa criança? Há quem diga que há motivos justos para que uma criança receba um tapinha ou um beliscão. Só que não há justiça nenhuma em uma pessoa que, em geral, tem o dobro ou até o triplo do tamanho - e até mesmo da força - de uma criança, agredi-la sob a forma que for. Sem contar os argumentos absurdos do tipo "o filho é meu e eu faço com ele o que eu quiser". Vem cá, ô espertão, filho não é uma coisa, que você dispõe como bem entender, tá?

Pode um tapinha de leve não mão de um bebê que está querendo testar aquele bibelô lindo da tia-avó? Não, não pode. O tapinha, por mais leve que seja, é uma agressão e é, sim, porta para um tapa mais forte, uma surra, um soco e saiba mais o quê. E parece que a coisa vicia mesmo. Começa de leve e, logo, o agressor quer sentir de novo aquela sensação de poder, por ver o medo nos olhos do outro. Nada mais primitivo.

Enfim, nada nem ninguém vai conseguir me convencer de que bater, mesmo que de leve, em uma criança seja uma coisa aceitável.

Pra terminar, repito a música Castigo não, do Toquinho, que já publiquei aqui.