terça-feira, 5 de julho de 2011

Filme: Mary e Max - uma amizade diferente

Mary and Max - 2009 (mais informações aqui)
Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Elenco: Toni Collete, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana

Em 1976, uma garotinha australiana com uma família diferente começa a escrever cartas para um senhor americano. A amizade entre os dois é o fio condutor da história, que passa por grandes questões e emociona bastante. Essa animação em massinha é uma grata surpresa.

A família de Mary é desestruturada, ela não tem carinho dos pais e sofre bullying na escola. Seu único amigo é um vizinho idoso, mutilado pela guerra e com agorafobia. Max é idoso, obeso, solitário e tem a síndrome de Asperger, um autismo leve. Ele tem dificuldades de relacionamento, o mundo é hostil e incompreensível. Nas cartas que trocam, eles nos apresentam o mundo visto por uma ótica própria. Chega a ser poética a forma como Mary conta o alcoolismo da mãe. E comovente, quando Max conta sobre a sua doença e diz que ele não era uma ameaça a ninguém, a não ser a ele mesmo.

Mary e Max finalmente conseguem ter um amigo, por conta das cartas que trocam. Dividem alegrias, angústias, a paixão pelos Noblets (personagens de desenho animado) e por chocolate. Mais tarde, dividem também a dificuldade de se encaixar no mundo moderno e a depressão, que é companheira de Max e passa a visitar Mary.

Toda animação é feita em massinha, o que pode dar a falsa impressão de que é um filme para crianças. É um filme adulto e delicadíssimo. O stop-motion é perfeito, a direção de arte é cheia de detalhes. Logo nas primeiras cenas, quando vemos Mont Averley, a cidade de Mary, há telhados, texturas, cuecas no varal, churrasqueira com pedaços de carne e lixo espalhados pela rua. Tudo é feito com bastante esmero e empenho.

As cores são importantíssimas para a composição, tanto dos personagem como das locações. A Austrália tem cores terrosas, bem amarronzadas. Mary tem uma mancha de nascença na testa e, logo na primeira carta, já diz que ela é cor de cocô. Apenas alguns detalhes estão em vermelho ou laranja mais forte: o tic-tac do cabelo de Mary, o batom de sua mãe. Em Nova York, tudo é cinza, exceto o pompom que Mary mandou a Max e outros detalhes. A ausência de cores é quase um personagem do longa, mostra a melancolia, a mesmice da vida de Max e Mary, pontuada apenas aqui ou ali com um toque de cor. Há uma cena em que os caminhos dos dois se cruzam e a tela é dividida pelas cores da cidade de origem.

É um filme indispensável para o entendimento das diferenças, para a sensibilização em um mundo tão rude e cruel com quem não está dentro do padrão.

Mary e Max não saiu em DVD, só está disponível em Blu-ray, com um preço proibitivo. Somente da PlayArte está disponível com um preço razoável. Claro que comprei e já revi.