sexta-feira, 8 de julho de 2011

Filme: Bastardos Inglórios

Inglorious Basterds - 2009 (mais informações aqui)
Direção: Quentin Tarantino, Eli Roth
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pìtt, Diane Kruger, Eli Roth, Christoph Waltz

Quentin Tarantino é um dos diretores mais famosos de Hollywood, especialmente pela prodigalidade dos diálogos que cria e pelo jeito divertido com que cria suas histórias. Bastardos Inglórios é um desses filmes em que a imaginação do roteirista e diretor abre caminho para uma história que é, ao mesmo tempo, divertida e maluca.

Tudo começa na França, invadida pelos nazistas. O Coronel Hans Landa (Waltz, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante) chega a uma casa com sua tropa, à caça de uma família judia escondida. As cenas dessa parte do filme são plasticamente lindas. O interior da casa parece uma pintura barroca, com apenas um foco de luz e todo o restante envolto em uma leve sombra. A fotografia é leve, colorida, inspiradora, ao contrário do conteúdo da conversa entre o coronel e o dono da casa, pontuada por tensão e pela maneira incisiva do coronel Landa.

Como é comum em filmes de Tarantino, a história é dividida em capítulos. O segundo mostra um grupo de mercenários judeus que perseguem e escalpelam os nazistas que matam. Quem sobrevive recebe uma marca que jamais se apagará: a suástica, marcada a faca, na testa. O diretor ironiza os nazistas e seus soldados, nem Hitler fica de fora, mostrado como um tirano vaidoso e sem noção (vide a cena em que ele está vestido com um manto real e, ao fundo, um pintor trabalha em seu retrato, enorme, na parede.Os momentos de tensão permeiam toda a narrativa. A presença constante dos nazistas, as conversas que envolvem judeus escondidos e soldados, a presença de Goebbels e Hitler temperam ainda mais.

Paralelamente, há momentos hilários, como quando Brad Pitt e seus colaboradores mais próximos vão ao lançamento de um filme nazista "fantasiados" de italianos e não conseguem manter o disfarce, já que não falam uma palavra de italiano. Pitt ainda carrega no sotaque texado, compondo uma caracterização bem interessante: o personagem não esbarra em nada real, mas consegue ser bastante rico ao ser um sangue apache com sotaque texano, apoiando judeus na luta contra os nazistas.O apelo apache também está presentem em Shosanna, que se prepara para a guerra até mesmo pintando o rosto de vermelho.

O roteiro caminha para um final que é um pouco epifânico e bastante surpreendente. E que não deixa de ser uma homenagem ao cinema em si. Seja pelo saguão amplo e suntuoso, seja pelo filme estreando, pela filmagem e montagem da participação de Shosana, pela simples referência a grandes diretores da época, pela sala de exibição e por ter sido lá, no cinema, o desfecho que uma história que poderia, quem sabe, ser real.