segunda-feira, 18 de julho de 2011

Conto: Ar

Respira, João, respira. Respira fundo, lembra daquele tempo que a Jana te obrigou a ir com ela às aulas de iôga. Puxa o ar devagar. Solta o ar devagar. Isso, repete, João. Outra vez. Tá mais calmo? Bom! Agora pensa, garoto!

Pensa que está na hora de quebrar essa barreira, de romper com tudo. Deixa o medo pra lá. Não tem nada que possa te fazer mal, João! No fundo, é só água. Lembra de quando você nasceu, tinha muita água. Não, é claro que eu não lembro, como podia lembrar. Mas não é verdade que os bebês sabem nadar? Então, se eu sabia, eu ainda sei. Vai, João, coragem!

Só de pensar, o coração bate mais rápido, começo a suar. Vamos lá, respire fundo, puxe o ar devagar, solte devagar. Eu vejo aqui todas essas crianças me olhando com a cara mais debochada. Eles acham o quê? Que podem ficar rindo assim o medo alheio? Olha, o tio João não está muito acostumado, mas vai estar, é só questão de tempo. Aliás, vai melhorar muito se cada um de vocês tomar conta da própria vida e dar espaço pro tio João finalmente esquecer de tudo e conseguir pular nesse raio de piscina.

Vai, João, respira fundo...