sábado, 4 de junho de 2011

Filme: Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio

Fast Five - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Justin Lin
Roteiro: Chris Morgan, Gary Scott Thompson
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson

Primeira vez que vejo um filme dessa franquia. Não é o tipo de filme que me abale a ir ao cinema, mas como estou tentando rever conceitos e analisar os filmes pelo que eles se propõem... lá fui eu ao cinema ver Velozes & Furiosos 5. Cinema lotado, na semana do lançamento. Praticamente um transtorno, com gritaria, conversas durante a projeção e muita falta de educação. Mas, vá lá, né?

O filme começa com um excesso de fade in/fade out, para contar que o personagem principal, Dominic Torello, foi preso e condenado a 25 anos de cadeia. Logo em seguida já vem uma cena espetacular com carros e o ônibus, onde Dom ia para a cadeia, sendo capotado para a retirada do prisioneiro. Ninguém, no ônibus, sofreu sequer uma escoriação. Daí, já corta pro Rio, onde o filme se passa.

O mais legal do filme foi ver coisas brasileiras no blockbuster. Das cervejas Brahma e Antarctica à feijoada, do Cristo Redentor ao prédio do Banco Central (que é a central de Reis, o vilão do filme), às favelas cariocas e muitos prédios do centro do Rio. A tentantiva do elenco falar português é muito engraçada. O ator português Joaquim de Almeida, que faz o Hernan Reis, se sai bem melhor, claro, mas fica muito caricato também. Tudo bem que, do lado do Rio de Janeiro, tem um deserto enoooooorme, tem carros com direção do lado direito... mas a gente entende a licença poética.

Fora isso, o roteiro é bem patético. A turma de Dom gasta boa parte do filme armando um esquema para entrar no prédio da polícia do Rio, testando tempos de câmera e chega a roubar carros da polícia para passar despercebido nessa empreitada. E, na última hora, não fazem nada disso. Também é difícil entender como o grupo do Dom consegue revogar quase todas as leis da física existentes no universo, mas a gente entra no clima. É até engraçado quando o policial americano encarregado de capturar Dom e sua turma diz assim: "Estamos atrás de criminosos que adoram velocidade. Não deixe eles entrarem nos carros!".

Se alguém se importa com a imagem que o Brasil passa para o exterior, vai passar raiva com o filme. Sim, as praias são lindas, as tomadas aéras são maravilhosas (o Rio é mesmo lindo). Mas as favelas são mostradas como reduto de homens mal encarados, armandos até os dentes, loucos pra dar tiros e afrontar a lei. Tem até uma cena lá que incomoda demais, com relação a essa questão da imagem do país. "This is Brazil", grita Dom, em certo momento.E tem funk na trilha sonora... triste ouvir "vem popozuda".

No mais, o filme oferece o previsível, que fez a fama da franquia: muitos carros, muitas perseguições, muitos tiros e fugar imensas, algumas até com bastante Le parkur, o esporte do momento. Tem o clichê de sempre, com um policial entrando no banheiro com um jornal nas mãos, A tal "equipe" que sempre tem de ser montada pra realizar algum grande feito, com todo o tipo de gente diferente e especialista em alguma coisa... Não tem o charme de 11 homens e um segredo, né? E coisas inverossímeis, como duas rotas de fuga diferentes que acabam no mesmo lugar e que despistam todos os perseguidores; quem acha um lugar pra se esconder e chega gritando e chutando a porta (discrição em fuga pra quê, né?). E tem o cofre... se a turma conseguiu comprar um cofre do nível que eles usam, pra que mesmo precisavam de dinheiro? Ah, tem os vários momentos machistas, tão comuns nesse tipo de filme. E a perseguição final em que Dom e sua turma tomam tiro pra todo lado, mas não disparam um tirozinho sequer. Isso que é poder!

E, só de curiosidade, aparecem algumas camisas da seleção brasileira no filme. Mas de time mesmo, só vi duas, e as duas do Cruzeiro. Uma do Kléber, de nº 40. E a outra mais antiga.