quarta-feira, 22 de junho de 2011

Filme: Piratas do Caribe 4: Navegando em águas misteriosas

Pirates of the Caribbean: On strangee tides - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Ted Elliot,Terry Rossio
Elenco: Johnny Deep, Penélope Cruz, Ian McShane, Geoffrey Rush

A quarta aventura do pirata Jack Sparrow parece ser mais um filme oportunista: como houve sucesso nos três momentos anteriores, por que não fazer mais um? A história começa um pouco desconectada, com espanhóis descobrindo que a fonte da juventude realmente existe. A partir daí, começa-se a busca pela fonte, que não é beeeem aquela que sempre imaginanos. Para realmente fazer efeito, é preciso trocar a força vital entre duas pessoas e ainda usar a lágrima de uma sereia (oi?).

A cena mais interessante do filme é bem no comecinho, quando acontece o julgamento do pirata Gibbs e Sparrow dá um jeito de estar lá. A partir daí, a fuga é a única coisa que emociona em toda a projeção. Enquanto toda a audiência torce pelo pirata de delineador, vemos como ele, em lances inusitados e, por isso mesmo, cativantes, engana a todos os seus perseguidores. Um anti-herói com o qual é construída uma empatia enorme, seja pelo jeito malandro, pelas tiradas curiosas, seja pelo simples fato de o personagem parecer um Robbin Hood mais divertido. Além disso, ao sempre lutar sozinho contra muitos soldados, corsários ou outros piratas, ele ganha mais ainda a torcida da audiência. É o único homem do pedaço que, com poucas armas, coloca todos os seus perseguidores em desvantagem. Quando iniciam-se as lutas de espadas, vem o que mais me incomodou em todo o filme: o barulho agudo, ritmado e muito alto do contato dos metais, praticamente uma tortura que percorre quase toda a obra.

As tais sereias, cuja lágrima é extremamente necessária para o uso da fonte da juventude, são lindas, glamurosas e vampiras. Além de seduzir todos os homens com seu charme avassalador, elas também têm caninos avantajados e usam as mordidas como defesa. E é uma sereia linda e vampira que protagoniza o casal âncora do filme, junto a um sacerdote completamente deslocado do resto da narrativa. Super sem sal o tal romance, envolvendo o tão batido tema do padre versus a mocinha jovem, linda e sedutora.

Acaba que o conflito originário, encontrar a fonte da juventude, é tão abstrato e tão confuso (qual o objetivo de tantas pessoas que a querem encontrar, se somente uma pessoa a pode usar?) que não segura o filme. Fica tudo em volta de lutas intermináveis (e com o som estridente das espadas se tocando), fazendo com que todo o filme se arraste e as mais de duas horas de projeção pareção ser seis.

A direção de arte do filme chama a atenção, desde a corte inglesa à sala de jantar do Rei George, passando pela caracterização dos personagens e culminando no navio do Barba Negra, um espetáculo, cheio de detalhes, em roxo e preto, roto, desbotado e, ao mesmo tempo, grandioso. Em contraponto, o barco dos corsários do rei tem velas brancas, limpas e inteiras, como se, por fazer parte de um projeto real, isso os tornasse menos bandidos que os piratas.

Está cada vez mais comum que os estúdios "brinquem" com suas logomarcas e coloquem nelas algo relacionado aos filmes. Aqui, uma bandeira pirata aparece no topo do castelo da Cinderela, marca dos estúdios Disney. Ficou bacaninha.