sexta-feira, 17 de junho de 2011

Filme: De pernas pro ar

De pernas pro ar - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Roberto Santucci
Roteiro: Paulo Cursino, Marcelo Saback
Elenco: Ingrid Guimarães, Maria Paula, Bruno Garcia

Acredito que o objetivo do filme tenha sido mostrar que ser sério demais não faz bem, que é preciso aproveitar a vida. Será que foi isso mesmo? Uma executiva extremanente focada no trabalho (Ingrid Guimarães) perde o emprego e o marido em uma única tacada e ainda tem de se haver com uma vizinha descolada (Maria Paula), dona de um sex-shop, para reestruturar sua vida.

Maria Paula é péssima. Não acho que foi só uma questão de direção, mas de falta de recursos mesmo. Há anos ela faz papel de gostosona e parece que estacionou no lugar errado. Ingrid é melhor em cena, mas está tão acostumada a fazer caras e bocas que sua personagem fica extremamente caricata. As duas que começam o filme num embate, ficam melhores amigas de uma hora para a outra e se ajudam na resolução dos problemas uma da outra.

Há uma série de clichês, a começar pelo mote da história, que retrata a mulher que trabalha como neurótica e infeliz, enquanto a descolada e sexualmente liberal é feliz e realizada. Porém, no final do filme, vemos que a moderninha liberada também é retratada estereotipadamente quando a questão é a sua própria vida amorosa (amorosa mesmo, não somente sexual). Os clichês se acumulam na história. A impressão é de que estamos vendo uma novelinha, ou uma daquelas séries globais. Não só por causa dos atores, todos da Vênus Platinada, mas porque o roteiro é praticamente montado para TV. E tem coisas muito estranhas, como a fala "Eu não quero imaginar essa imagem na minha cabeça".

A "lição de moral" do filme é bem chulé: o que importa são a família e o amor. Alice, a personagem de Ingrid, só consegue ser feliz quando se desliga do trabalho. Já seu marido, esse sim consegue se realizar trabalhando. Ou seja, mulheres devem deixar para trás anos de luta por direitos iguais e voltar direto pro fogão. Alice termina o filme dizendo que "não se pode ter tudo na vida", que reforça justamente esse clichê machista.

 Há referências a outros filmes nacionais, da época das pornochanchadas, como Os sete gatinhos (vide os "caralhinhos voadores" no sex shop).