sábado, 25 de junho de 2011

Dizem que é ruim...

Nos livros do Harry Potter, quem não é descendente de bruxos, mas é convidado a desenvolver o dom, pode ser chamado de sangue-ruim. Toda vez que vou tentar doar sangue e sou recusada, me sinto como uma sangue-ruim.

Resolvi tocar no assunto porque houve essa mudança na aceitação de doadores: aumentou a faixa etária (a partir dos 16 anos, com autorização dos pais ou responsáveis, até os 65 anos) e há também uma indicação para que a orientação sexual não seja mais impedimento.

E o que eu tenho com isso?

Sempre quis doar sangue. Desde que eu soube que era possível e, mais ainda, depois que descobri que meu sangue, O-, pode ser recebido por todos. Só que eu não tinha a idade necessária. Daí, a lusitana rodou e lá fui eu para no hospital, com uma hemorragia séria. Uma das primeiras providências do povo lá foi me fazer receber sangue. Lembro que, para repor o sangue que eu recebi, um monte de gente foi doar, a maioria funcionários do chão de fábrica da empresa onde meu pai trabalhava. A vontade de doar cresceu. Só que me contaram que quem recebe sangue não pode doar durante dez anos, tempo em que é possível ver se alguma doença que não foi percebida na triagem vai se manifestar.

Em 2004 foram completados os dez anos. E, logo após, uma tia idosa precisou de doação. Fui lá e, ao contar que havia recebido sangue há uma década, a doninha da triagem me mandou de volta pra casa. Dois anos depois, lá fui eu tentar de novo. Novamente, a doninha me mandou embora. Dessa vez, questionei: já se passaram 12 anos! Ela foi categórica: nunca vou poder doar. Ninguém vai aceitar sangue de quem já recebeu doação. Ou seja, sou uma sangue-ruim.

Como não há nada pra fazer, já engoli que não posso doar. Por outro lado, sempre que vejo alguém que precisa de sangue, corro pra divulgar. Conheço algumas pessoas que doam pelo menos três vezes por ano e, por meio delas, tento fazer a minha parte. É o jeito, né?

Posso dizer que o sangue que tomei salvou a minha vida há 18 anos. Ele foi essencial para que houvesse mais tempo para a cirurgia ser feita. Sem o sangue, nada teria dado certo. É uma coisa tão boba pra quem doa, mas faz uma diferença enorme pra quem recebe.