sábado, 21 de maio de 2011

Filme: A garota da capa vermelha

Red Hiding Hood - 2011(mais informações aqui)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Johnson
Elenco: Amanda Seyfried, Lukas Haas, Garry Oldman

Quem teve a brilhante ideia de filmar a história da Chapeuzinho Vermelho deve ter quebrado a cabeça para incluir o diálogo entre a garotinha e o lobo "fantasiado" de vovó. Não foi à toa que todo mundo que estava no cinema caiu na gargalhada quando o filme reviveu esse diálogo. Ficou aburdamente cômico.

A proposta do filme é ser um suspense, que se passa em um vilarejo estilo medieval, em uma região coberta de neve mas onde os habitantes não sentem tanto frio assim. As roupas são bastante leves para aquela imensidão de gelo. Lá vive Valerie (Seyfried), apaixonada por Peter e prometida em casamento a Henry. Ela decide fugir com Peter mas desiste ao saber que sua irmã mais velha foi morta pelo lobisomem local. A fera convive há anos com os moradores, exigindo apenas animais como alimentação, nas noites de lua cheia. É uma espécie e acordo, e a irmã de Valerie é a primeira humana morta, o que causa revolta, comoção e dá início à caçada.

A identidade o lobisomem é o que move o filme. Há uma série de suspeitos: a avó de Valerie, Peter, Claude, deficiente irmão de uma amiga de Valerie, o padre local. Chega um matador de lobisomens com uma história curiosa: era casado com uma fera e a matou após saber dessa realidade, deixando suas duas filhas órfãs de mãe. Esse sujeito chega para tocar o terror na aldeia, dizendo que todos são suspeitos até que provem o contrário. Uma espécie de caçã às bruxas, que trará consequências para todos. Uma coisa óbvia: a vovozinha, por mais excêntrica que seja, não é o lobisomem. De acordo com a história dos Irmãos Grinn, a vovó é comida pelo lobo. Uma pessoa a menos na lista de suspeitos.

Os cenários são bonitos, com a neve eterna (que, lembro, não parece ser fria), pinheiros e grandes montanhas. A câmera é inquieta, como se perseguisse ou espreitasse Valerie. Ela ganha da avó a tal capa vermelha do título e essa é a única coisa com cor viva naquele cenário excessivamente branco. O outro ponto de cor é o frio roxo do padre que veio perseguir o lobisomem. Com ele, veio também um elefante metálico que não faz o menor sentido. É um instrumento de tortura que, pelamordedeus, né? Há uma festa na aldeia, que parece mais uma rave medieval, com música alucinante, dança esquisita e estilo trash.

A diretora é a mesma do primeiro da saga Crepúsculo e parece seguir a mesma linha: a mocinha disputada por dois personagens, o dilema "ético" do mocinho, que acha que pode fazer mal a ela e por isso some no mundo, o sexismo que encaminha a mocinha a esperar pelo príncipe encantado e o dualismo fortemente marcado entre bem e mal. Ou seja... melhor ler a história de Chapeuzinho Vermelho dos Grinn mesmo.