domingo, 8 de maio de 2011

Filme: Footloose - Ritmo Louco

Footloose - 1984 (mais informações aqui)
Direção: Hebert Ross
Roteiro: Dean Pitchford
Elenco: Kevin Bacon, Lori Singer, John Lithgow

O filme que mostrou Kevin Bacon para o mundo.

Nas cenas iniciais, com os créditos principais, já sabemos que vem música e dança por aí. São vários pés visualmente dos anos 1980 (o tênis Nike não nos deixa mentir, nem as polainas...) marcam o compasso da música tema. Somos apresentados a uma cidadezinha, inicialmente pacata, com uma comunidade que se reúne ao redor do pastor, após ter sido marcada por um grave acidente de carro, com a morte de alguns jovens, um deles o filho do pastor. A comunidade proibe música, festas e tudo o mais que possa reunir jovens. Aí chega Ren (Bacon), filho único cuja mãe acabou de se separar e resolveu se mudar para a cidadezinha. Só por isso, ele já é um problema. Mas ele também é um leitor de livros proibidos na cidade e adora dançar. Receita básica para falar sobre a impetuosidade da juventude e sobre como a repressão pode ser cega e prejudicial.

A caracterização de Ren é típica. Ele fuma, tem um carro (e ainda está no colegial), bebe, escuta música burlando a proibição da cidade, briga com o valentão, se apaixona pela filha do pastor, arruma um melhor amigo brigão e consegue diminuir a resistência da cidade inteira com a música e as coisas da juventude. Pra conseguir revolucionar a cidade, primeiro ele é reprimido e discriminado pela comunidade. Uma das cenas mais divertidas, vendo o filme hoje, é a hora em que Ren é afastado do time de Ginástica Artística da escola e, resolvado, vai para um galpão abandonado dançar como David Bowie.

O contraponto de Ren é o pastor Shaw Moore, um John Lithgow. O contraste entre os dois é nítido também na caracterização: Moore usa roupas em tons terrosos, marrons. Sua fala tem sempre o mesmo tom professoral, que repete, para públicos diferentes, a mesma cantilena, sem mudar a abordagem. Sua personalidade é plana, enquanto Ren é colorido, tem ambições, contradições, erra e acerta. É mais humano, enquanto Moore parece inatingível.Por outro lado, Vi Moore (Dianne Wiest) lembra o reverendo de que ele já foi jovem e consegue, aos poucos, dar novas cores à personalidade do pastor.

Outro momento impagável é quando Ren esina o amigo Willard a dançar. Seus ensaios, com as priminhas de Ren ou sozinho em casa, são muito divertidos. Depois de aprender a dançar, finalmente ele faz par com Rusty, uma Sarah Jessica Parker novinha, pequena, sem glamour e antes da plástica no nariz.

O filme é daqueles que, quando você vê na adolescência, te enche de vontade de mudar o mundo e, com isso, cumpre um papel interessante. Tudo bem que o tempo passa e a gente vê que essa história de mudar o mundo é tão bestinha... Sessão da tarde super bem-vinda!