quinta-feira, 19 de maio de 2011

Era quarta-feira

Há 18 anos, era quarta-feira. Já estava ficando friozinho, mas nem tanto. Tinha sol. O principal do dia 19 de maio de 1993 eu já contei aqui. Eu não contei é que vovô escondeu de todo mundo que tinha um problema sério nos rins. Ninguém sabia. Nem a vovó. Ele já estava com os rins quase sem funcionar quando vovó descobriu, e só porque ele começou a ter um comportamento estranho.

Uma semana antes vovó ligou dizendo que ele não estava bem. Os dois foram parar em BH. Passaram lá em casa e foram direto pro Hospital Vera Cruz. Ele ficou internado até a segunda seguinte, quando voltou pro nosso apartamento. Ficou na minha cama, a vovó na cama da Laura. Nesse dia, ele falou comigo. Me chamou do jeito como só ele fazia e brincou com o tempo enorme que passei estudando.

Nós estávamos nos preparando para que ele começasse a fazer hemodiálise. Mas não deu tempo. Quarta-feira, 19 de maio de 1993, ele faleceu. De manhã cedo. Sem dor, sem gritos, sem sofrimento. Na minha cama.

Há 18 anos.

É inevitável se acostumar com a ausência. Também lembrar do coração que ele tinha. Do companheirão que era. Da felicidade que era encontrar com ele, em BH ou em OP. E daquele abraço grande, aconchegante, que acabava com todas as dores do mundo.

Saudade, vô!