sexta-feira, 13 de maio de 2011

Enfrentando os medos

Quando criança, eu aprendi com a minha irmã que havia alguma coisa perigosa no armário do quarto, era preciso deixar a porta bem fechada de noite. Aprendi com a babá a ter medo de um certo tipo de pessoas (ah, se soubessem o medo bobo que ela punha na gente...). Aprendi sozinha que o toc-toc de certos sapatos deixam a gente com paralisia, suor frio e tremedeira. Já tive medo do escuro, dos espelhos, de fantasmas, dos ladrões, de familiares, dos caras do prédio do lado.

Ao mesmo tempo, sempre fui uma pessoa corajosa. Impetuosa, na verdade. Tia Ylza conta que enquanto a Laura ficava quietinha, sentada, brincando, eu queria subir em cadeiras, em estantes, em armários, em árvores. Gostava de me pendurar em janelas, varandas e balaustradas. De correr, cair, levantar. Tirei praticamente sozinha a única rodinha que restava na bicicleta. Sempre procurei fazer tudo sozinha, evitando ajuda de quem quer que fosse.

Até a hora de enfrentar aquele medo paralisante. Consegui, depois de anos, dormir com a porta do armário aberta. As pessoas de quem a babá falava não assustam mais. Não enfrentei o toc-toc, mas hoje ele é insignificante. Chegou a vez de encarar o outro medo paralisante. E o dia é amanhã. Desejem-me sorte. Depois eu conto o medo e o que vai acontecer amanhã.