terça-feira, 19 de abril de 2011

A minha intolerância

Há tempos tem uma coisa me cutucando. É a intolerância. A minha, em especial. Porque, não há como negar, todos nós somos intolerantes, cada um com uma medida e com uma motivação diferente. Não tem como fugir, todo mundo tem uma intolerância guardada, em algum cantinho, em uma gaveta esquecida, no fundo do armário. O que move a minha intolerância são atitudes estúpidas.

Durante 22 anos eu convivi com um exemplo de ações estúpidas. E fui ficando calejada, ao ponto de virar intolerante. Porque ninguém nasce intolerante, a gente se torna. Devido a alguma experiência anterior, como é o meu caso, ou à criação, quando acabamos imitando o comportamento de alguém. Não sei qual motivo tem mais adeptos.

O fato é que qualquer - isso mesmo, qualquer - atitude estúpida acende a luz amarela da minha intolerância. É um aviso, porque todo mundo consegue ser estúpido uma vez ou outra. Mas se a estupidez torna a aparecer, a minha intolerância acende a luz vermelha. E, automaticamente, incluo a pessoa na lista de indesejáveis. Eu não tolero gente estúpida. Eu não preciso conviver com gente estúpida. Eu não quero conviver com gente estúpida.

E quem é a gente estúpida com quem eu não quero conviver? No topo da lista estão as pessoas que gritam com as outras. Quem quer ganhar qualquer coisa no grito não merece meu respeito. Nessa categoria também podem ser incluídas as pessoas que usam de qualquer tipo de atitude violenta para com os outros. Meu diagnóstico é que essas pessoas, que gritam e/ou são violentas, não são inteligentes. Não sabem conversar nem argumentar, e aí partem pros berros, pros tapas ou pros tiros. Tem como respeitar? Não, né?

No segundo lugar da lista estão as pessoas que fazem de tudo pra trazer o mal para os outros. Gente que se faz de santa, mas que adora uma maledicência. Que, aos pouquinhos, vai fazendo a caveira dos outros. Que tenta, de todos os modos, diminuir os outros, seja lá por qual motivo. Tem um caso desses bem pertinho de mim, que já me rendeu horas de análise, só para que eu descobrisse que, de algum modo, essa pessoa se sente ameaçada por mim e, por isso, insiste em inventar histórias. Hoje, eu já não ligo pro que ela fala, só lamento que, em vez de usar melhor o seu tempo pra, por exemplo, ser feliz, né? Então...

No terceiro lugar estão os que não sabem se colocar no lugar dos outros. Excetuando-se, claro, quem tem qualquer tipo de problema psicológico que afete essa capacidade. Sim, há alguns problemas psicológicos em que o paciente não sabe, não consegue entender que os outros são pessoas como ele. Mas isso é outra história. Quem não tem distúrbio e só consegue enxergar seu próprio umbigo, passando por cima dos outros, é um dos maiores representantes da estupidez.

Por que estou falando isso? Porque a minha intolerância está me fazendo ficar estúpida. Não tolerar é uma forma de estupidez, e é uma contradição me ver sendo estúpida com quem eu não tolero. Sim, eu tento não ser estúpida, mas nem sempre consigo. Na maior parte do tempo, procuro me afastar de quem eu não tolero, mas certas situações da vida me obrigam a manter contato com elas. Com essas pessoas, eu procuro só cumprimentar e falar o básico, pra não correr o risco de ser tão estúpida quanto, ao tentar me afastar da estupidez que eu não tolero.

Não há intolerância legal. Mesmo quando não se tolera uma coisa ruim.