domingo, 3 de abril de 2011

Filme: Sucker Punch - Mundo Surreal

Sucher Punch - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Zach Snyder
Roteiro: Zach Snyder, Steve Shibuya
Elenco: Emily Browning, Vanessa Hudgens, Abbie Cornis

Tudo começa com cortinas de um palco sendo abertas. Ali vai ser contada a história de uma garota sem nome, daí pra frente chamada de Baby Doll. Vemos seu conflito tendo início com a morte da mãe, a ameaça do padastro, um tiro desastrado que acerta a irmã e sua ida para um manicômio. E lá aparece de novo o palco, onde uma paciente olha, abestalhada, para a psiquiatra que tenta convencê-la a contar sua história. Essa primeira parte da história é apresentada de uma forma muito interessante, sem diálogos, apenas as cenas e a trilha sonora estridente. É dentro do manicômio que Baby descobre que dentro de cinco dias sofrerá uma lobotomia. Então, decide agir. Mesmo que, para isso, tenha que usar somente a imaginação.

Bem de leve, o filme é parecido com A Origem (que eu preciso rever pra conseguir escrever), com seus níveis de consciência. Eu diria que há quatro em Sukher Punch, assim como no filme de Christopher Nolan. Com cores sombrias e insinuações de violência no submundo da saúde mental, o filme cria uma sensação de desconforto enquanto Baby é confrontada com seu padrasto, com o enfermeiro Blue, com o cozinheiro e até mesmo com a psiquiatra. A prisão de Baby é evidente, em especial com a quantidade de grades - e só vemos a personagem, nesse momento, atrás dessas grades.

No que considero o terceiro nível de consciência de Baby, ela se junta a quatro garotas, Sweet Pea, Rocket, Blondie e Amber na busca de quatro objetos especiais e de um mistério que as tirarão dali. E é no quarto nível que as cinco garotas vão lutar contra monstros, terroristas e até alemães, tudo com uma estética de mangás - o figurino de Baby neste nível é como o da heroina japonesa Sailon Moon ou mesmo de Lucy Liu em Kill Bill, vestida de colegial/marinheira, saia curta e uma enorme katana às costas. E ela luta, enquanto suas amigas saem em busca dos objetos mágicos. Como toda heroína em formação, Baby tem um mestre, bastante americanizado, que dita frases como "procurem trabalhar juntar" enquanto mostra às garotas como chegar aos objetos. Como se ele fosse Charlie e as cinco, as Angels.

No nível das lutas, o diretor erra a mão. Tudo bem que a pretensão era fazer belas cenas de ação. O problema é que elas são somente bonitas. Não fazem sentido e são longas demais. Especialmente a cena com os soldados alemães - me diga pra que soldados alemães e a explicação de que eles seriam mortos-vivos, devido a uma tecnologia especial? Acaba que o filme é mais uma sequência de imagens bonitas e só. Talvez com outro roteirista a história da garota que precisa se refugiar em si mesma durante uma estada no manicômio funcionasse melhor.

De bom, a trilha sonora. Tem Beatles, Mozart e Pergolesi, em releituras mais moderninhas e interessantes, que dão algum charme para o filme.