domingo, 17 de abril de 2011

Filme: Os bons companheiros

Goodfellas - 1990 (mais informações aqui)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Nicholas Pilleggi
Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Joe Pesci

Mais um filme de máfia? Não, um filmão, em todos os aspectos. Henry (Liotta), que sempre quis ser gangster, conta como conseguiu entrar para uma gangue e impor respeito. Junto com Jimmy (De Niro) e Tommy (Pesci), trabalham com dinheiro ilícito, abuso de poder, violência.

Como em todas as obras de Scorcese, a cor vermelha está presente, para marcar os momentos de violência e de tensão, como na cena inicial, do carro, e na hora em que todos estão reunidos num night club e Tommy mostra como tem o humor instável.

A direção de atores é brilhante. Os três principais dão um show na tela, com destaque para Pesci, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante. Infelizmente, depois disso ele passou a interpretar sempre o mesmo papel: o italianinho irritável e violento. Até em Esqueceram de Mim ele é assim. Pena... Na caracterização dos atores é possível ver que, por mais glamour que o mundo dos gangsters tenha para atrair Henry, ele não é totalmente entregue àquele universo, como são Tommy e Jimmy. Henry é o único que demonstra um grau de humanidade e lamenta mortes imbecis, como a do garçom não puxa o saco de Tommy.

Scorcese utiliza aqui alguns recursos de narrativa bem interessantes. Por exemplo, a troca do narrador. Começa com Henry e, em certo ponto, passa a ser Karen, a garota que viria a ser sua esposa. E, para impressionar a mocinha, vem a cena mais bacana do filme, um plano-sequência que, diz a lenda, foi considerado OK no terceiro take. De tirar o fôlego! E também é bonita demais a parte, quase poética, em que os corpos dos comparsas de um assalto são encontrados. Lindo! Os créditos finais, com Sid Vicious, do Sex Pistols, cantando My Way é muito legal.

É um filmão, indispensável. E praticamente impossível falar sobre ele, porque tudo já foi dito.

Só uma curiosidade boba: Jimmy (De Niro) aparece, em determinado momento, usando um chinelão com meias, bem à vontade. O garoto que criou o Facebook aparece do mesmo modo em A Rede Social.