sexta-feira, 15 de abril de 2011

Compras no Paraguai

No post anterior, falei um tanto sobre a cota de compras internacionais e a questão dos impostos. Comprar no Paraguai é a mesma coisa. A cota é a mesma - US$ 300 para um mês, por via terrestre. Ou seja, some as compras da Argentina e do Paraguai.

A relação aduaneira entre os dois países e o Brasil é bem diferente. É preciso se cadastrar na aduana no Brasil e na Argentina, para entrada e saída nos dois países, mas não é preciso fazer isso para entrar no Paraguai. Tudo que tem de organizado na fronteira argentina não tem na fronteira paraguaia. Aliás, é só cruzar a Ponte da Amizade pra se perceber um outro mundo.

Fomos com a Loumar Turismo, com saída às 8h40 no hotel - a van nos deixou no Shopping Del Este, do lado da aduana paraguaia - e retorno às 16h. A saída foi sem problemas, a entrada no shopping também.

Primeiro, rodamos pelo shopping procurando tudo o que queríamos comprar. Todos os preços são cotados em dólar e os produtos podem ser pagos em real, dólar, peso ou guarani. É bom levar uma calculadora, porque a cotação varia todo dia e, em alguns lugares, é diferente até mesmo durante o dia. Os preços dos eletrônicos são realmente muito bons. E também os de bebidas, maquiagens e produtos de higiene. Segurança de que os produtos são originais, só nos shoppings mesmo. Em camelôs na rua é suicídio!

O Shopping Del Este é o mais bonitinho. Lá dentro, nem parece que você mudou de país. Tudo limpo, organizado, arrumado. Tem até pão de queijo na cafeteria! Mas basta sair de lá pra cair na real... Sabe o baixo centro de BH? Aquele que você tem até nojinho porque cheira mal, é cheio de gente muito, mas muito pobre mesmo? Ciudad Del Este é pior. E ainda tem um trânsito caótico. Se você não correr, é atropelado na certa. E não vai ter ninguém pra te socorrer. Segundo o nosso amigo taxista Sorriso, se houver uma batida de carros por lá, é melhor não se importar nem descer do carro. Ninguém tá nem aí com preferências, sinais, pedestres. É um salve-se quem puder.

Fizemos compras especialmente no Shopping Del Este, no shopping Americana, na Mega e na Miami Bike. O shopping Americana foi uma dica do Sorriso, quando ele nos levou de novo ao Paraguai. Foi lá que descobrimos porque não há tenis Puma pra vender nas lojas oficiais. Segundo os vendedores, os fornecedores Puma não entregam os tênis por lá. Eles nos disseram que tênis Puma comprado no Paraguai é, com certeza, falsificado.

A melhor loja para comprar eletrônicos é a Mega. Os produtos são originais e, como a loja é um atacado, têm um ótimo preço, que nenhuma outra loja conseguiu bater. E os próprios vendedores dessas outras lojas nos diziam que não tinham como competir com a Mega. Lá dentro é uma bagunça só. Há mil seguranças armados até os dentes e muita gente saindo com caixas e mais caixas. Foi lá que eu comprei meu novo baby, uma câmera Sony HX1, por um preço bem amigo: US$ 330, pela cotação do dia deu R$ 550,00. Ela custa o triplo aqui no Brasil.

E tem a Miami Bike, que tem muitas opções de peças de bicicleta. O Leo e o Lauro compraram bastante lá, por preços bacanas também. Pra comprar roupas, relógios e maquiagens, o ideal é o shopping Monalisa, mas não tivemos muito sucesso por lá. Está bem próximo da Semana Santa, quando deve chegar mais mercadoria.

Comemos no McDonalds paraguaio, no Shopping Vendome. Os sanduíches são muito baratos, a promoção do Quarteirão ficou por menos de R$ 10,00. E a gente ainda riu bastante com os nomes dos sandubas, o slogan do fast-food e com a notinha, que veio em guaranis. Um real é, mais ou menos, dois mil e duzentos guaranis.

Na volta pro hotel, tivemos um pequeno problema. A van que nos buscou não foi a mesma da ida. Voltamos com outras pessoas que, no mínimo, queriam dar o cano na Receita. Quando estávamos na subida para o posto de fiscalização, o motorista perguntou quem iria declarar. Nós cinco e mais dois dissemos que sim e o motorista parou. Ainda no hotel, o Vinícius, da Loumar Turismo, havia nos dito que, se houvesse necessidade de declarar, desceríamos e a van nos esperaria no Ponto de Táxi nº10, que fica na saída da Receita. Essa informação também está no caderninho de dicas que a Loumar nos entregou. Mas nossos queridos companheiros de van não queriam parar e pressionaram o motorista a seguir viagem. Ele nos deixou na Receita e deu no pé, dizendo que ligássemos para a agência ao final do cadastramento que eles mandariam outra van nos buscar.

Entramos na fila da Receita já com as DBAs preenchidas. A fila é longa, mas vale muito a pena. Ficar com a consciência tranquila não tem preço. Do nosso grupo, só uma pessoa precisou pagar imposto sobre o montante que excedeu a cota. Isso foi o que mais demorou, porque a fila dos pagadores era grande e lenta - os fiscais conferiam todos os itens. Ao final, tentamos ligar para a Loumar e não conseguimos. Pegamos táxis e fomos pro hotel. Aproveitamos para contar a Vinícius essa confusão com a van e ele nos deu o traslado de volta ao aeroporto, sem custos, como compensação. Ficou OK, mas ficamos muito desconfortáveis. Com a Fabi grávida, o mínimo que a empresa deveria oferecer era total conforto pra ela.

Não temos fotos do paraguai. Não é só porque não tem muitas coisas bonitas pra se fotografar, mas porque é tão muvucado que deixei minha point-shot no hotel e não tirei a HX1 da caixa até a nossa volta. É tenso mesmo comprar por lá. Mesmo com os preços tentadores, você fica o tempo todo preocupado com assaltos. Andávamos sempre em fila indiana, um cuidando o outro, e com o objetivo já traçado. Saíamos de um lugar já com a convicção de onde entraríamos depois. Para isso, ajudou bastante a pesquisa que os meninos fizeram sobre as lojas. Eu não tive tempo de pesquisar, mas aprovei o trabalho deles.

Uma coisa que fizemos e que ajudou bastante, apesar de doer no coração, foi ligar o Ignorator 3.0 e simplesmente não ver as pessoas de lá. Porque é assim: aparece um vendedor de meias ou de outras coisas em cada lugar e começam a te chamar. Se você olhou, já era. Essa pessoa vai andando atrás de você gritando ofertas para o seu produto, infernizando mesmo, até você perder a paciência e comprar. E quando você finge que aquelas pessoas não existem - crueldade no último grau -, elas te deixam em paz. É preciso ignorar a pobreza daquele lugar, o esgoto a céu aberto, a comida sendo preparada e servida ali mesmo, do lado de uma poça de esgoto. Pessoas físicas não pagam impostos no Paraguai. O Estado não tem arrecadação suficiente pra dar um pouco de dignidade pros moradores. É um ciclo cruel, que reforça cada vez mais aquela pobreza toda e, infelizmente, nós fazemos parte disso.

Só pra reforçar, é melhor ser honesto e declarar tudo direitinho. Se você não é parado pela Receita no lado brasileiro da Ponte da Amizade, a Polícia Federal provavelmente te para nas saídas de Foz do Iguaçu.