quinta-feira, 14 de abril de 2011

Compras na Argentina

Para começar, é preciso dizer que cada brasileiro pode fazer compras em outros países com uma determinada cota, em um período de 30 dias. Para quem faz viagens aéreas, a cota é de US$ 500; para viagens terrestres ou por via marítima é de US$ 300. Se ultrapassar essa cota, tem de pagar imposto, que é de 50% do valor excedente. Isso vale para 30 dias; passado esse período vale uma nova cota.

Na Argentina, em Puerto Iguazu, há um free shop e quase todo mundo que eu conheço e com quem eu conversei afirmou e reafirmou que sobre ele não incide imposto. Ou seja, compre o que quiser e seja feliz. Mas não é bem assim. O free shop é free apenas para os argentinos. Qualquer compra lá em Puerto Iguazu ou nos outros free shops argentinos levam a impostos, se excederem a cota.

O free shop é bom pra comprar algumas coisas. Uma delas são as bebidas. O preço de uísque é muito bom. Também vale muito para perfumes e maquiagens, além dos chocolates. Lá tem Kit-Kat, o antigo Cadillac, e só por isso a gente já fica feliz #AmoChocolate.

Mas os eletrônicos, que também têm um preço muito bacana, são traiçoeiros. Tudo deve ser declarado na Receita Federal e, se exceder a cota de US$ 300, é preciso pagar os impostos devidos.

E é aí que mora a pegadinha. Ninguém, nem no hotel, nem no free shop, nem em lugar nenhum em Foz do Iguaçu, nem no traslado até o free shop ou de volta pra Foz as pessoas te falam pra parar na fronteira e declarar as compras. E aí, na volta pra casa, quando a Polícia Federal passar as malas pelo raio-X do aeroporto ou abrir as malas para revista e encontrar material não declarado, ele é confiscado, porque é considerado sonegação. Não tem como recuperar os produtos que a Polícia Federal apreende. Então, é melhor ficar atento e declarar todas as compras que precisam ser declaradas.

Estão valendo novas regras alfandegárias que permitem que o viajante compre, para uso pessoal, um telefone celular, um relógio de pulso e uma máquina fotográfica, sem precisar de declará-los à Receita Federal e sem incidência de impostos. Roupas, acessórios, adornos pessoais e produtos de higiene e beleza também estão isentos de tributos, desde que em quantidades compatíveis, ou seja, não dá pra fazer a festa da uva e trazer um caminhão de coisas.

Câmeras filmadoras e notebooks não fazem parte da lista de bens de uso pessoal, eles entram na cota e, se a excederem, geram o pagamento de impostos. Com relação a bebidas alcoólicas, a nova regra diz que o máximo é de 12 litros por pessoa. Há outras regulamentações, mas essas são as mais básicas. Para declarar as compras, é preciso preencher a Declaração de Bagagem Acompanhada, a DBA, e entregar na Receita Federal, que vai vistoriar tudo. Tanto a Receita quanto a Polícia Federal sabem a maior parte dos preços dos produtos. Enquanto estávamos na fila da Polícia no aeroporto, na volta, um sujeito passou com um molinete de pesca. O policial, na hora, já falou o preço do produto. Eles têm, também, um cadastro com os preços. Ou seja... é muito melhor ser honesto e fazer tudo direitinho. Tem informações mais completas sobre o que entra e o que não entra na cota aqui.

O free shop de Puerto Iguazu é relativamente grande. Tem uma porrada de marcas daquelas que a gente tem dó de comprar porque são caríssimas por aqui. Vale a pena rodar por lá e gastar tempo pesquisando produtos e valores. Eu tinha que comprar uma camiseta pro Bruno, mas não tinha roupas masculinas da marca que ele queria.

E lá também tem a pegadinha número 2. Nós compramos, junto com o pacote do hotel, a vista ao free shop pela Loumar Turismo. A van saiu do hotel às 18h30 e demorou um tantão pra chegar lá no free shop, porque todos os brasileiros precisam se cadastrar na aduana antes de cruzar a fronteira. O próprio motorista da van leva as identidades até lá e faz o cadastro. A fila de carros que cruza a fronteira é bem grande e esse processo demora um tanto. O Roberto, nosso motorista, também avisou que a fila dos caixas no free shop estava durando uma média de 50 minutos. Como ele nos buscaria às 21h, daria cerca de meia hora de compras e 50 minutos de fila de caixa. Ou seja, uma correria só. Não dá pra pesquisar direito.

A dica aqui é pagar mais caro pelo transporte e ir de tarde pro free shop. Fizemos isso no dia seguinte e foi ótimo. Deu pra andar bastante, pesquisar preços e produtos e descobrir coisas bem legais e com bons preços. Para o transporte, utilizamos o ponto de táxi que fica em frente ao hotel. O motorista, Laércio, também conhecido como Sorriso, tinha um Zafira, que podia transportar cinco pessoas. Ele nos cobrou R$ 120,00 para nos levar ao Parque das Aves, depois ao free shop e nos deixar de volta ao hotel. Ficou em R$ 24,00 por pessoa, o mesmo preço da van da Loumar Turismo pra essas poucas horas de correria no free shop. Vale bem mais a pena com o táxi, combinando ida e volta, pelo tempo que for mais adequado.



Antes da tarde no free shop

Lembrando: é bom não exagerar nas compras, porque tem imposto sim e, se não pagar, a Policia Federal confisca.