quarta-feira, 30 de março de 2011

Outros 10 anos

Contei aqui como consegui meu primeiro emprego de jornalista graduada, durante o baile de formatura. Comecei a trabalhar e, cerca de um mês e meio depois, vi no jornal a propaganda de um curso de Design Gráfico. Como  meu trabalho era com diagramação de jornais (algo que eu odiava na época, mas que hoje adoro), pedi pra minha chefe, que também é minha amiga, liberação pra fazer o curso. Eu perderia duas horas de trabalho por dia, mas dentro de três meses teria mais conhecimento pra poder trabalhar. E assim, lá fui eu para as aulas Design Gráfico, à tarde, no centro de BH.  Dos três programas que o curso ia tratar, eu já sabia bem demais um, o QuarkXpress. Tanto que ensinei várias coisas pra professora. Os outros dois eu precisaria aprender mesmo. O curso mudou a minha vida. Não porque aprendi coisa mirabolantes de desing. Mas porque foi lá que conheci o Leo.


Há uns 3 anos


A primeira coisa que eu pensei quando olhei pra ele foi que ele era lindo. Mas que devia ser insuportavelmente chato. Só porque ele estava pagando o curso com um cheque do pai dele. E eu, que bancava a minha vida já há 6 anos, fui preconceituosamente pensando que ele devia ser um filhinho de papai mimadinho. Isso eu pensei só de olhar, sem trocar uma palavra com ele.


Mais ou menos na segunda semana de curso, ele veio conversar comigo e me deu um livro muito bacana sobre publicidade. Disse que eu ia gostar. Eu li e adorei. Foi por causa disso que ele pareceu ser, pra mim, outra pessoa, bem diferente daquele que eu tinha desenhado uns dias pra trás. O curso durou três meses. Mas desse dia em diante, eu só tive olhos pra ele.


No Reveillon 2010/2011


O curso acabou e nós engatamos o namoro. Acho que por ter sido extremamente preconceituosa com ele quando o conheci, eu me abri inteira para esse relacionamento. Não imaginava que fosse durar tanto. Aliás, nunca consegui me imaginar por tanto tempo com alguém.


Em 2003, enquanto trabalhávamos no Festival de Jazz, com Alessandra e Rodrigo


O Leo é o cara perfeito pra mim. Primeiro, por causa do humor. Impossível não rir perto dele, com as coisas que ele fala, com a sua espirituosidade e a acidez de alguns comentários. Depois, porque ele esteve do meu lado nos momentos mais punks da minha vida. E se, passando por aquilo tudo, ele não desistiu de mim, é porque a coisa é séria mesmo. O abraço do Leo é o melhor do mundo. Pra confortar ou só pra demonstrar companheirismo. E companheiro ele é, e muito. Ele me aceita do jeito que eu sou, faz alguns sacrifícios alcoólicos por minha causa, me deixa quieta com meu gosto por esportes (e futebol, em especial), me respeita muito. Além disso, ele é mais doido do que eu, mas quando a minha loucura vem à tona, é ele que me puxa de volta pra realidade e me coloca, de pés no chão, no caminho certo. Minha sanidade mental é permanentemente grata ao Leo. 


2006, em Curitiba
Perfeito ele não é. Mas é quem me faz feliz sendo exatamente como é. Ok, ele podia amar menos a cerveja... Tá ótimo do jeito que está. Ele ainda me trouxe, de brinde, uma família nova. Os pais do Leo são fantásticos, sou fã declarada eles. Os irmãos também, a Flavinha é como se fosse minha irmã caçula. E ainda tem os Borges todos, Dona Lídia, seus filhos, netos, bisnetos e agregados.


Brincando de ser chiques, padrinhos de casamento


Com tudo isso, tinha como passar em branco?


Em Gramado, a caminho da Feira de Turismo


Hoje, completamos 10 anos juntos.  É uma vida, que foi construída sobre pilares fortes, em especial o respeito mútuo. Nunca, nesse tempo todo, levantamos a voz um pro outro. Claro que brigamos, pensamos diferente e há discussões. Mas nunca houve uma agressão verbal, um grito. Tudo tem sido resolvido na conversa, muita conversa. Somos, antes de tudo, companheiros. Não somos donos um do outro, estamos caminhando juntos, até quando for possível - e eu espero que seja possível por muito, muito, muito tempo.


Há pouco mais de dois anos, decidimos nos casar. Foi tudo muito rápido. E diferente. Nunca tive cara de quem casaria na igreja, com vestido, véu, flores e música. Nem ele tem. Daí que fizemos tudo do nosso jeito.


Pe. Simões celebando nosso casamento


Pouquíssimas pessoas ficaram sabendo na época, poucas sabem hoje. Sei que tem gente que, ao ler isso aqui, vai querer me matar porque eu não contei. Eu tenho meus motivos pra não ter contado, e posso esclarecer pra quem quiser saber, em PVT. Nesse dia, na cerimônia, só teve uma coisa que me desagradou, mas nem vem ao caso. Uma semana depois, teve um churrasco pra família do Leo e alguns de nossos amigos.


Olha o convite!
O fato é que, com cerimônia ou sem ela, espalhando ou não pro mundo que a gente casou, o Leo é o cara. E é pra ele mesmo que eu digo - e penso - sempre: "estranho seria se eu não me apaixonasse por você".