segunda-feira, 7 de março de 2011

Livro: Os homens que não amavam as mulheres


Talvez não seja preciso dizer, mais uma vez, que adoro livros de suspense e investigação. Mas não foi só por isso que me vi paralisada com este livro. Além de trazer uma bela história de suspense - em algumas partes até mesmo de terror, vem de quebra uma investigação jornalística sobre crimes contra a economia e discussões sobre o papel da imprensa em meio a um mundo em que a especulação vai ganhando cada vez mais força.

A trilogia Millennium foi escrita pelo sueco Stieg Larsson e fez tanto sucesso editorial que virou filme e série por lá e ainda teve os direitos comprados por Hollywood. Meu primeiro contato foi com o filme sueco do primeiro livro, que me deixou em choque por algumas horas. Em seguida, meu sogro me emprestou o livro, que acabei de ler.

As histórias se misturam: um jornalista que acabou de cometer um erro é condenado a três meses de prisão e ao pagamento de uma multa e, ao mesmo tempo, luta pela sobrevivência de sua revista de economia; um velho industrial tenta, pela última vez, resolver o mistério da morte e do desaparecimento do corpo de sua sobrinha favorita, enquanto desconfia de todos de sua própria família; uma jovem hacker com profundos problemas familiares e psicológicos tenta sobreviver num mundo onde é usada e violentada. Os três personagens se unem para resolver o mistério do desaparecimento de Hariett Vanger, a sobrinha do industrial. O jornalista Mikael Blonkvist é contratado por Henrik Vanger durante um ano para escrever a crônica de uma família bem peculiar e também para tentar descobrir novas pistas sobre a garota, que tinha 16 anos quando desapareceu. Em meio a sua pesquisa, Mikael solicita o apoio de um pesquisador e é apresentado a Lisbeth Salander, a garota pequena e frágil que é a melhor hacker da Suécia. Vale dizer que o filme sueco foi muito bem adaptado - as poucas diferenças entre texto e tela são apenas para a história se adaptar à plataforma fílmica.

No início de cada bloco de capítulos, um dado estatístico sobre a violência contra mulheres na Suécia chama a atenção. São número que nós, brasileiros, talvez estejamos acostumados a ver. Mas que eu, particularmente, não achava que seriam realidade em um dos países mais desenvolvidos economicamente no mundo. O que pode nos levar a uma - rasa - conclusão: a violência contra a mulher é algo institucionalizado, perpetuado e ainda mais difícil de ser desenraizado.

As duas investigações levadas a cabo por Mikael - o desaparecimento de Harriet, na maior parte do filme, e as jogadas sujas de Hans-Erik Wennerström, são pesadas, dolorosas e levam a um submundo de perversão sexual e econômica, com muito desrespeito à vida.

O livro termina de uma forma epifânica. Se eu não soubsesse que é uma trilogia, teria me dado por satisfeita com a última página. Mas aí vem a vontade de ler os dois livros restantes e ver o que mais Stieg Larsson preparou. Antes de ver os dois filmes suecos. E antes de ver os filmes americanos, que têm enorme potencial para vivarem bomba.