segunda-feira, 28 de março de 2011

Filme: Último tango em Paris

Ultimo tango a Parigi - 1927 (mais informações aqui)
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Bernardo Bertolucci
Elenco: Marlon Brando, Maria Schneider, Maria Michi

Há quem ache eu Último tango em Paris é apenas uma cena, a da manteiga. Ela ficou famosa sim, gerou não sabemos quantos comentários e até mesmo números de humor, como o dos Trapalhões (o vídeo vai abaixo). Mas é muito mais do que isso.

A história envolve um desiludido homem que acabou de ficar viúvo - sua mulher se matou e uma jovem com casamento próximo. Eles se encontram em um apartamento vazio e dão unício a uma relação pontuada pelo sexo, sem que se revelem seus nomes e suas histórias. A proposta é que os dois esqueçam tudo enquanto estão naquele apartamento vazio: "tudo fora daqui é bobagem". A relação vai se aprofundando até que há um conflito maior, fora dali.

Maria Schneider é Jeanne. A atriz tinah 19 anos quando fez o filme, mas parece ter 13. Nem a maquiagem forte nos olhos consegue disfarçar sua carinha de criança. Inexplicavelmente, ela passa alguns dias com a mesma roupa: um vestido curto amarelo, com um casaco de pele branco e um chapéu preto com flores. Ela é noiva de Tom, um rapaz deslumbrado com o mundo do cinema, com quem tem diálogos vazios, que contrastam com a vida paralela que leva, no apartamento vazio. Brando é Paul, um personagem triste, amargurado, solitário, amassado e descuidado. Em sua "vida real" ele tem que se haver com o suicídio da esposa, o amante dela, a sogra que vem se intrometer, o hotel do qual é dono. Em meio a tudo isso, ele se refugia no apartamento vazio.

Fora dali, Jeanne é personagem de um documentário produzido por Tom e prepara seu casamento. Mas a união de verdade foi com Paul, já que o apartamento vai se tornando um lar para os dois. Ela, no apartamento, é uma criança que se solta; já Tom a chama a assumir seu lado adulta. Paul se despede da esposa, conversando com o corpo, pronto para o velório. A cena é bem interessante, com a luz apenas na cama, onde jaz Rosa, cercada de flores.

Jeanne caminha por Paris quando encontra o apartamento para alugar, e logo abre suas janelas. Com o fim da relação, ela fecha as janelas e percorre o caminho de volta, uma forma bonita de indicar que aquilo tudo acabou. Mas não é aí que a história acaba.

Durante os dias em que dura a relação e Paul e Jeanne, algo me incomodou muito, como espectadora. Fora a cena que ilustra o cartaz do filme, em que Brando e Schneider estão abraçados e nus, não se vê Marlon Brando sem roupa, nem uma breve insinuação disso. Por outro lado, Maria Schneider desfila sua Jeanne nua ou seminua a maior parte da projeção. Talvez seja a feminista que mora em mim tentando dizer que não é justo que em todas essas cenas haja um corpo nu e que ele tenha de ser justamente o feminino. A atriz deu algumas entrevistas sobre o filme, sempre lamentando que, quando o fez, era muito ingênua. Possivelmente seja mesmo a sua ingenuidade que a levou a ser escolhida para o papel.

Resumindo, não acho que o filme mereça o rótulo de clássico. A não ser de clássico do machismo e da opressão feminina. Por isso mesmo, gosto menos desse filme e mais de outros do Bertolucci.

Abaixo, a zoação dos Trapalhões com a famosa cena da manteiga: