quarta-feira, 2 de março de 2011

Filme: O Discurso do Rei

The King's Speech - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham-Carter

A primeira coisa a a se dizer sobre o filme é que seu trailler é muito ruim. Quando o vi, achei que fosse mais um filme com lição de moral à lá Disney: se você quer alguma coisa, tenha força de vontade que você vai conseguir. Ainda bem que não é isso.

Mas também náo é tudo o que andam comentando. O filme é um tanto correto, bonitinho, mas que começa a forçar logo de cara, com a trilha à la Forrest Gump e a gagueira imediata do então Duque de York ao adentrar um estádio lotado de pessoas que o olham. Tudo fica grande quando olhado através do grande microfone que espera as primeiras palavras do filho do rei. O recurso de seduzir a platéia e colocá-la sempre a favor do personagem principal é usar a perspectiva dele sempre que vem o medo de enfrentar um grande público. Quando o espectador vê pela ótica do Duque, imediatamente "adota" o personagem e se vê torcendo por ele. Mesmo assim, para mim o personagem mais marcante tem uma pequena participação: Churcill. Ao mesmo tempo, é bom ver Helena Bonham-Carter interpretando uma pessoa normal.

O filme tenta ser engraçadinho, ao mostrar as tentativas de duque de superar a gagueira. Uma delas é sua tentativa de falar com sete bolinhas de gude na boca. Irritado, ele cospe as bolas e sai vociferando contra o "doutor", criador deste tratamento revolucionário. Até que sua esposa encontra Lione, um ator australiano com métodos heterodoxos e que afirma que só tratará o duque se, no consultório, eles forem iguais. E aí começa uma história de convivência, força, respeito e, talvez até, superação. Os primeiros exercícios do duque Bertie com Lionel também são engraçadinhos. Ele pula, grita, rola no chão - imagine um ser da realeza fazendo isso... mas é só.

Enquanto isso, vemos um pouco da história recente da Inglaterra: a atual rainha Elizabeth ainda criança, a morte do rei George V, a ascenção de Eduardo VIII, sua renúncia devido ao romance com a americana Wallis Simpson, a posição de Churchill no pré-Segunda Guerra Mundial, a eloquência de Hittler como orador e a entrada da Inglaterra nesta guerra. Para quem gosta de história é um pano de fundo muito legal. Claro que não é exato, mas isso não faz tanta diferença para o desenrolar do roteiro.

As cores do filme são frias, acinzentadas, envelhecidas. Acredito que a intenção tenha sido mostrar que o filme, além de ter um pé na história, é uma produção inglesa. A maior parte das cenas se passa no inverno, ou seja, sem sol, com neblina. Será que é pra nos lembrar que o sol é raro por lá?

Enfim, o que se tira do filme é que se deve tomar muito cuidado com o que se faz com as crianças. Certas questões, como babás tiranas, pais ausentes, espancamentos e outras coisas correlatas podem produzir adultos com feridas profundas e muitas dificuldades ao enfrentar a vida. O tipo de filme que eu indicaria para a minha analista.